O secretário de Segurança Pública do Estado, coronel César Augusto Roveri disse a imprensa na manhã desta segunda-feira (06/3), durante o lançamento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), no Ganha Tempo da Praça Ipiranga, que o curso de Intervenção Rápida em Recinto Carcerário (CIRRC-MT) da Penitenciária Central do Estado (PCE) segue suspenso até que as investigações sejam concluídas. Quatro integrantes da Gerência do Grupo de Intervenção (GIR), denunciados pela vítima, foram presos e, em seguida, soltos após audiência de custódia.
“No sábado pela manhã nós fomos informados pelo secretário adjunto Jean que cuida da toda nossa pasta do sistema penitenciário e de imediato nós determinamos a suspensão do curso. Fizemos o acolhimento da policial penal que fez a denúncia. Ela fez um boletim de ocorrência na delega especializada da mulher, nós demos todo o atendimento a ela através de duas profissionais do próprio sistema penitenciário, que também acompanhando a ocorrência”, disse Roveri.
O chefe da pasta afirmou ainda que a Polícia Civil tomou todas as providências, instaurou um inquérito e no Sábado (04) ainda foram ouvidas várias testemunhas. Também foram tomados os depoimentos de algumas das pessoas suspeitas envolvidas na situação e que foram denunciadas no boletim de ocorrência.
“Enfim, como o próprio Governador (Mauro Mendes) disse, nós não compactuamos com nenhum tipo de violência ou qualquer tipo de abuso. Então, todas as providências foram e estão sendo tomadas com relação a esse caso, e resguardando a vítima e também dando todos os direitos aos outros servidores. O curso segue suspenso até tenhamos a conclusão da apuração”, explicou.
O caso
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, a vítima teria sido alvo das torturas e obrigada a sair das aulas por ter denunciado um colega de profissão de importunação sexual nas dependências da PCE, no final de 2022. A denúncia de tortura foi registrada na sexta-feira (3).
Conforme os relatos da policial, os supostos episódios de torturam teriam ocorrido diversas vezes, quando ela foi trocar de roupa em uma barraca. Ela conta que fecharam o local e lançaram “anilhas de gás lacrimogêneo”. Ao tentar sair para respirar diziam: “Bate o sino e sai do curso, seu lugar não é aqui. Vai lavar vasilha”, conta a profissional.
Ainda segundo a versão apresentada à Polícia, os quatro coordenadores teriam tentado fazer a policial desistir das etapas do curso, a todo momento, com spray de pimenta e até mesmo mirando fuzis contra seus braços.
No momento das refeições, ainda segundo o BO, teriam servido comida azeda aos alunos, ou até mesmo jogado alimentos no chão e obrigado os participantes do curso a comer.
Ela ainda revelou que não desistiu, porém, ao ser transportada em uma viatura pelo alojamento, preferiu pular do veículo em movimento para fugir do curso, com medo de sofrer novas agressões.
A suspeita é que as agressões seriam fruto de um boletim de ocorrência feito pela mesma policial penal no qual denunciou um caso de importunação sexual nas dependências da Penitenciária Central do Estado (PCE).



















