A Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (27), é um desdobramento direto de investigações iniciadas ainda em 2025, a partir da apreensão do telefone celular do vereador Chico 2000 (PL) durante a Operação Perfídia. À época, o parlamentar chegou a se afastar do cargo enquanto era apurada a suspeita de recebimento de vantagem indevida para votar a favor de um projeto que beneficiava a empresa responsável pelas obras do Contorno Leste, empreendimento avaliado em R$ 125 milhões.
Na investigação anterior, a polícia apurava indícios de que vereadores teriam condicionado a aprovação de pagamentos e votos favoráveis à obtenção de propina. Chico 2000 permaneceu afastado da Câmara Municipal por 126 dias enquanto o caso era analisado.
Com a autorização judicial, os investigadores passaram a examinar o conteúdo do celular apreendido e, posteriormente, obtiveram a quebra do sigilo telefônico do parlamentar. A medida ampliou o alcance da apuração e revelou elementos que levaram à abertura de um novo inquérito, independente do anterior.
Conversas com empresário ampliaram foco da investigação
Durante a análise dos dados, a Polícia Civil identificou trocas frequentes de mensagens entre o vereador e o empresário João Nery Chiroli, proprietário da empresa Chiroli Uniformes. Chiroli também atuava como organizador de eventos esportivos, como a Corrida do Legislativo e a Corrida Bom Jesus de Cuiabá.
O conteúdo das conversas e a recorrência dos contatos chamaram a atenção dos investigadores, que passaram a examinar com mais profundidade contratos, repasses financeiros e a aplicação de recursos públicos ligados ao setor esportivo municipal.
Instituto passa a ser apontado como eixo do suposto esquema
No avanço das diligências, a polícia chegou ao Instituto Brasil Central (Ibrace), localizado no bairro Morada do Ouro, em Cuiabá. Segundo os investigadores, o instituto aparece como o núcleo do suposto esquema investigado na nova fase da apuração.
A Polícia Civil aponta possíveis prejuízos aos cofres públicos, com impacto direto sobre a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esportes.
Por decisão judicial, o município e o Legislativo ficaram impedidos de contratar, nomear ou realizar pagamentos a qualquer um dos investigados, incluindo o instituto e as empresas envolvidas.
















