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Justiça mantém afastamento de Chico 2000 da Câmara de Cuiabá por suspeita de corrupção

Vereador está afastado do cargo desde 29 de abril, quando foi deflagrada a Operação Perfídia, que apura um esquema de corrupção relacionado às obras de drenagem e pavimentação da Avenida Contorno Leste
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O vereador Francisco Carlos Amorim Silveira, conhecido como Chico 2000 (PL), continuará afastado da Câmara Municipal de Cuiabá pelos próximos seis meses. A decisão foi mantida por unanimidade pelos desembargadores da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que rejeitaram o recurso da defesa do parlamentar.

Chico 2000 está fora do cargo desde 29 de abril, quando foi deflagrada a Operação Perfídia, que apura um esquema de corrupção relacionado às obras de drenagem e pavimentação da Avenida Contorno Leste, na Capital. A investigação aponta que a construtora HB20, responsável pelos serviços, teria repassado propina a vereadores para garantir benefícios junto à Prefeitura de Cuiabá.

Além de Chico, o vereador Sargento Joelson (PSB) também foi afastado por determinação judicial, mas sua defesa não apresentou recurso contra a medida. Ambos seguem impedidos de exercer funções públicas.

No centro da apuração, consta que Chico 2000 teria dado aval para que o esquema se concretizasse. A afirmação partiu do próprio Sargento Joelson, que, em conversa interceptada pela Polícia Civil em outubro de 2023, confirmou que o então presidente da Câmara participou diretamente das negociações.

No diálogo, Joelson reclamou com João Jorge Catalan, funcionário da HB20 que colaborou com as investigações, sobre o envio de terceiros para tratar dos acordos. Na ocasião, reforçou que as tratativas contavam com a anuência de Chico 2000. “O presidente Chico um dia participou e deu o aval, cara”, afirmou Joelson, ao se queixar da tentativa da empresa de intermediar os pagamentos com outras pessoas.

A investigação teve início após o então deputado federal e atual prefeito eleito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), apresentar às autoridades uma série de provas, incluindo extratos bancários, prints de conversas e vídeos que detalham o funcionamento do suposto esquema.

De acordo com os autos, a construtora teria pago um total de R$ 250 mil em vantagens ilícitas. Desse montante, R$ 150 mil foram depositados na conta do empresário José Márcio da Silva Cunha, apontado como intermediador dos pagamentos, enquanto o restante foi entregue em dinheiro diretamente a Joelson.

Os repasses, segundo as investigações, tinham como objetivo assegurar a tramitação e aprovação, na Câmara, de uma certidão de parcelamento fiscal que permitiria à Prefeitura quitar dívidas com a HB20 e, consequentemente, liberar os pagamentos das obras executadas.

A juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO), responsável pela decisão que autorizou a operação, destacou a complexidade do caso e os indícios de uma relação ilegal entre agentes públicos e interesses privados. A magistrada também determinou medidas de constrição patrimonial contra os envolvidos.

Em nome de Chico 2000, foram sequestrados dois imóveis e um Chevrolet Tracker, avaliado em aproximadamente R$ 130 mil. Já o Sargento Joelson teve bloqueados uma residência, uma caminhonete S10 (avaliada em R$ 140 mil), um Nissan March, uma Saveiro e uma motocicleta. O intermediador do suposto esquema, José Márcio, também teve bens bloqueados, incluindo quatro veículos — entre eles um Ford KA, um HB20, uma Parati e um Ônix — e um imóvel.

Além do afastamento dos vereadores, a Justiça determinou a retenção dos passaportes dos investigados, como forma de garantir o andamento do processo sem risco de fuga ou interferência nas apurações.

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