O Ministério Público de Mato Grosso (MPE) instaurou um procedimento investigatório para apurar suspeitas envolvendo a compra de livros didáticos pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá. Os contratos investigados podem ultrapassar R$ 80 milhões e foram firmados durante a gestão do ex-secretário Amauri Monge.
A investigação foi determinada pela promotora de Justiça Lindinalva Correia Rodrigues e encaminhada ao Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa após a repercussão das denúncias nesta quinta-feira (28).
Segundo o Ministério Público, a apuração terá foco em possíveis irregularidades na aquisição dos materiais, incluindo suspeitas de sobrepreço, compra excessiva de exemplares e conteúdos produzidos com uso de inteligência artificial.
Em nota, a promotora afirmou que o órgão tomou conhecimento do caso por meio das informações divulgadas publicamente e destacou a necessidade de uma investigação rápida.
“O procedimento será instaurado com requisição de documentos e esclarecimentos necessários para a adequada apuração dos fatos”, informou o comunicado do MPE.
As suspeitas vieram à tona após declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que afirmou ter encontrado indícios de gastos considerados irregulares na compra de livros para a rede municipal.
De acordo com o prefeito, parte dos materiais teria sido adquirida em quantidade superior à necessidade das escolas, além de apresentar valores considerados incompatíveis com o mercado. Segundo ele, alguns exemplares chegariam a custar até R$ 800.
Abilio também declarou que livros analisados pela atual gestão apresentariam conteúdo produzido com inteligência artificial e sem relevância pedagógica.
Apesar das críticas, o prefeito afirmou que ainda não pretende apontar responsáveis enquanto as investigações não forem concluídas.
As denúncias já vinham repercutindo nas redes sociais nas últimas semanas. A advogada e influenciadora Giselly Fortes publicou vídeos questionando os gastos milionários com materiais didáticos, alegando que o Ministério da Educação já fornece livros gratuitos às escolas públicas.
Após a abertura da investigação pelo Ministério Público, Giselly voltou a comentar o caso e criticou o suposto desperdício dos materiais adquiridos pela gestão anterior.



















