Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

MPF arquiva investigação contra delator da Ararath por suposta sonegação

publicidade

O Ministério Público Federal (MPF) arquivou o inquérito que investigava o empresário Genir Martelli, proprietário da Martelli Transportes Ltda, por suposta sonegação fiscal relacionada ao acordo de delação premiada firmado na Operação Ararath. A decisão foi assinada pelo subprocurador-geral da República, Carlos Frederico Santos, e homologada por unanimidade.

A apuração teve início após a Receita Federal apontar suspeita de omissão de rendimentos. Segundo o entendimento do Fisco, parcelas milionárias do acordo de colaboração, assumidas pessoalmente por Genir, teriam sido quitadas pela empresa, o que configuraria benefício particular que deveria ser declarado como renda.

O MPF, porém, concluiu que não houve elementos suficientes para caracterizar crime tributário. Para o órgão, o empresário agiu acreditando que os pagamentos eram legais, já que existia previsão contratual de responsabilidade solidária entre ele e a transportadora.

Na decisão, o Ministério Público destacou que o entendimento adotado pela Receita na esfera tributária não é suficiente, por si só, para justificar responsabilização criminal. O documento ressalta que o caso não envolvia ocultação clássica de patrimônio ou rendimentos, mas sim divergência de interpretação sobre a forma de pagamento das obrigações previstas no acordo de delação.

O MPF também citou decisão anterior do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que validou os pagamentos realizados pela Martelli Transportes no cumprimento do acordo firmado com a Justiça.

Para os procuradores, esse reconhecimento reforça a tese de boa-fé do empresário e afasta a hipótese de omissão dolosa de rendimentos. O órgão ainda destacou que Genir não tinha consciência de eventual obrigação tributária decorrente desse modelo de quitação.

A investigação tem origem nos desdobramentos da Operação Ararath, deflagrada para apurar supostos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. Conforme os autos, Genir Martelli e o empresário Luiz Martelli, já falecido, assumiram uma dívida milionária ligada a um grupo político investigado pelo MPF.

Segundo a apuração, parte dos valores teria sido quitada por meio de créditos de ICMS obtidos após incentivos fiscais concedidos ao setor de transporte rodoviário no Estado.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade