A decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode gerar impactos diplomáticos e até reflexos na soberania nacional, na avaliação do senador Wellington Fagundes (PL). A declaração foi feita na sexta-feira (5/6), quando o parlamentar alertou para possíveis desdobramentos da medida adotada pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Segundo o senador, a classificação das facções como grupos terroristas abre espaço para discussões delicadas envolvendo a autonomia dos países afetados. Ele destacou que, em cenários relacionados ao terrorismo, podem surgir situações que interfiram na soberania nacional, motivo pelo qual considera necessário um debate aprofundado sobre o tema.
Wellington defendeu que o assunto seja tratado com cautela pelo governo brasileiro, especialmente pelo Ministério das Relações Exteriores, e também analisado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. Para ele, a sociedade precisa participar da discussão diante das possíveis consequências que a decisão norte-americana poderá provocar.
Durante entrevista à imprensa, o parlamentar, que também disputa espaço na corrida pelo comando de Mato Grosso nas eleições de 2026, aproveitou para rebater posicionamentos atribuídos ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que teria defendido o apoio de forças federais no enfrentamento ao crime organizado.
Na avaliação de Wellington, a responsabilidade principal pela segurança pública deve permanecer sob gestão estadual. Ele argumentou que ações da Força Nacional são pontuais e temporárias, enquanto cabe ao governo estadual investir de forma permanente na contratação de policiais, valorização da categoria e melhoria das condições oferecidas aos profissionais da segurança.
A classificação das duas maiores facções criminosas do Brasil passou a valer oficialmente nesta sexta-feira. Ao justificar a medida, o governo dos Estados Unidos alegou que tanto o PCC quanto o Comando Vermelho ampliaram suas atividades para além das fronteiras brasileiras, alcançando operações e influência em outros países, incluindo o território norte-americano.


















