O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a empresa que pressionava a Prefeitura para receber pagamento por um lote de livros entregue sem contrato não procurou mais a gestão após denúncia feita ao Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). O caso envolve materiais didáticos armazenados em um depósito particular e investigados em auditoria aberta sobre contratos da Secretaria Municipal de Educação.
Segundo Abilio, a situação mudou depois de uma reunião com o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, que resultou em vistoria no almoxarifado da pasta.
“O dono, que estava desesperado para entregar o material para nós, sumiu depois daquele encontro lá com o Tribunal de Contas. A pessoa que queria nos obrigar, praticamente, a receber o material que eles produziram, não deu mais as caras”, afirmou o prefeito nessa terça-feira (2/6).
Abilio disse que a empresa seria a NeuroSaber e que ela pressionava a Prefeitura para concluir a entrega do material. Segundo ele, após a denúncia ao órgão de controle, nenhum representante voltou a procurar a Secretaria Municipal de Educação.
O prefeito já havia relatado uma pressão que classificou como agressiva para que a administração efetuasse o pagamento de materiais didáticos entregues sem respaldo legal. De acordo com ele, a empresa teria ligações com a QI Comunicação e enviou um caminhão de livros para Cuiabá sem contrato formal ou ordem de serviço assinada pela atual gestão.
Com base em auditoria realizada na Secretaria Municipal de Educação, Abilio afirmou que os materiais estão guardados em um depósito particular no bairro Alvorada. O espaço, segundo ele, estaria alugado pela própria fornecedora.
A empresa, conforme relatado pelo prefeito, alega possuir capturas de tela e e-mails de conversas que teriam sido conduzidas pelo ex-secretário municipal de Educação Amauri Monge para validar a entrega dos produtos.
Abilio também vinculou o caso a um suposto esquema financeiro identificado na Secretaria de Educação antes da nomeação do secretário interino Reginaldo Teixeira. Segundo o prefeito, a Prefeitura repassou cerca de R$ 27 milhões para a pasta no início do ano.
Desse total, aproximadamente R$ 21 milhões teriam sido usados na compra de materiais didáticos que agora são alvo de investigação por possível fraude.
Na última sexta-feira (29), o presidente do TCE-MT esteve pessoalmente no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, a convite de Abilio, para acompanhar a apreensão e o recolhimento dos materiais sob suspeita.
O Tribunal de Contas instaurou uma auditoria integral nos contratos da pasta, que somam mais de R$ 70 milhões.
Entre os livros recolhidos estão volumes que, segundo a Prefeitura, teriam sido produzidos com uso de inteligência artificial, com erros graves de português e conteúdos considerados incompatíveis com a realidade das escolas municipais.
A gestão cita como exemplo materiais de informática e educação financeira, disciplinas que, conforme Abilio, não integram a grade curricular da rede municipal nem contam com laboratórios ativos nas unidades de ensino.



















