O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), criticou nesta quinta-feira (7) a suposta elaboração de uma lista com o título “alunas estupráveis” por estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O episódio, revelado após o vazamento de mensagens em aplicativos, provocou reação de autoridades, entidades de classe e da comunidade acadêmica.
Em declaração, Pivetta classificou o caso como inadmissível e afirmou que acompanhará o andamento do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto pela universidade para investigar os envolvidos. Segundo ele, atitudes dessa natureza não podem ser toleradas no ambiente universitário e os responsáveis devem ser punidos de forma rigorosa.
“Essa lista dos estudantes da UFMT de ‘alunas estupráveis’ é um completo absurdo. Não podemos aceitar esse tipo de atitude dentro da nossa universidade. Vou acompanhar o PAD instaurado e espero punição a esses alunos de forma severa”, afirmou Pivetta.
A repercussão do caso também mobilizou o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que instaurou procedimento para apurar possíveis crimes relacionados à misoginia e à violência contra a mulher. A investigação é conduzida pela promotora Claire Vogel Dutra, responsável pelo Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica contra a Mulher.
O órgão solicitou à UFMT, no prazo de cinco dias, o envio de documentos, provas já reunidas e informações sobre as medidas adotadas pela instituição. Entre os materiais analisados estão conversas em aplicativos nas quais estudantes comentavam sobre a criação de rankings envolvendo calouras e faziam referências à prática de violência sexual.
Após a divulgação das mensagens e da pressão exercida por estudantes, professores e entidades representativas, a Faculdade de Direito da UFMT decidiu afastar preventivamente um dos acadêmicos apontados como participante do grupo. Inicialmente, a universidade havia informado que não realizaria afastamentos, mas voltou atrás diante da repercussão negativa do caso.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso também se manifestou oficialmente, cobrando rapidez na apuração e responsabilização dos envolvidos. Em nota, a UFMT reiterou que o PAD segue em andamento para identificar todos os estudantes ligados às mensagens consideradas ofensivas e violentas.

















