Tesoureiro-geral do Comando Vermelho em Mato Grosso (CVMT), Paulo Witer Farias, conhecido como “WT”, continuará preso após decisão do ministro Rogerio Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que negou o pedido de habeas corpus para sua soltura. O investigado está recluso na Penitenciária Central do Estado (PCE).
A defesa de WT havia solicitado que ele fosse beneficiado com a progressão de regime, citando o caso de Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”, outro membro de alto escalão do Comando Vermelho. Batman conseguiu a progressão do regime fechado para o semiaberto, e a defesa argumentou que o mesmo benefício deveria ser estendido a WT. No entanto, o ministro Schietti considerou que as situações dos dois criminosos são distintas e que WT não possui as mesmas condições processuais de Batman.
O magistrado ressaltou que WT acumula condenações por vários crimes e ainda tem 36 anos de pena a cumprir, além de uma pena unificada de 51 anos de reclusão. Durante o tempo em que esteve no regime semiaberto, usando tornozeleira eletrônica, WT assumiu o papel de tesoureiro-geral do Comando Vermelho, coordenando inclusive atividades ilícitas como a criação de um time de futebol amador, chamado “Amigos WT”, usado para lavar dinheiro da facção criminosa. Essa movimentação levou à deflagração da Operação Apito Final, que mirou WT e outros 25 envolvidos no esquema.
Outro ponto destacado foi o comportamento de WT durante o período em que deveria estar monitorado eletronicamente. Ele foi flagrado diversas vezes burlando o sistema da tornozeleira para fazer viagens de luxo pelo Brasil, violando as regras do regime semiaberto. Diante dessas circunstâncias, o STJ entendeu que medidas cautelares, como o uso de tornozeleira, seriam insuficientes para impedir WT de continuar a praticar crimes.
Na avaliação do ministro Schietti, WT exerceu liderança no Comando Vermelho, atuando diretamente na organização de atividades criminosas enquanto cumpria sua pena no semiaberto, o que o coloca em situação diferente da de Batman. “Os dados indicam a proeminência do réu no contexto da organização criminosa e o distanciam, ao menos em princípio, da situação do paradigma”, afirmou o ministro em sua decisão. Assim, o pedido de habeas corpus foi negado, e WT permanecerá preso. A decisão é do dia 2 de outubro.
Paulo Witer Farias já foi alvo de outras operações, como a Red Money, que também mirou as atividades financeiras da facção. Mais recentemente, ele foi o principal alvo da Apito Final, operação que resultou no bloqueio de milhões de reais em bens e recursos do Comando Vermelho.






















