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Justiça condena Hospital e Maternidade São Mateus e o Hospital Jardim Cuiabá por morte de paciente com dengue

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A Justiça de Mato Grosso condenou o Hospital e Maternidade São Mateus e o Hospital Jardim Cuiabá ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais à família de uma paciente que morreu após uma sequência de falhas no atendimento médico. A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico no dia 14 de abril de 2026 e ainda cabe recurso.

A sentença aponta que a paciente, diagnosticada posteriormente com dengue hemorrágica, não recebeu o tratamento adequado em tempo oportuno, o que comprometeu suas chances de sobrevivência. Para o Judiciário, houve falhas graves desde o primeiro atendimento até a condução clínica nos dias seguintes.

De acordo com o processo, a paciente procurou inicialmente o Hospital São Mateus com sintomas como febre e dores, mas foi liberada apenas com medicação. No dia seguinte, retornou à unidade e recebeu diagnóstico de pneumonia, sem a realização de exames essenciais para confirmação.

Com a piora do quadro, ela buscou atendimento no Hospital Jardim Cuiabá, onde foi diagnosticada com dengue. Mesmo apresentando sinais de agravamento, recebeu alta poucas horas depois, sem monitoramento adequado — conduta considerada incompatível com os protocolos do Ministério da Saúde.

O quadro evoluiu rapidamente. No retorno ao Hospital São Mateus, a paciente já estava em estado grave, sendo internada. Ainda assim, segundo a decisão, houve demora para avaliação por especialista e para transferência à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que agravou ainda mais a situação clínica.

A perícia judicial foi categórica ao apontar erros no diagnóstico inicial, falhas no manejo da doença e negligência na condução do caso. O laudo destacou que sinais clássicos de dengue foram ignorados, mesmo em uma região endêmica, retardando o tratamento adequado.

Embora não seja possível afirmar com absoluta certeza que o desfecho seria evitado, a Justiça reconheceu que a paciente foi privada de uma chance real de sobreviver — entendimento conhecido como “perda de uma chance”, amplamente aplicado em casos de erro médico.

Na decisão, os hospitais foram condenados de forma solidária ao pagamento de R$ 100 mil para cada um dos três familiares da vítima. Além disso, foi reconhecida a responsabilidade parcial da médica que realizou o atendimento no Hospital Jardim Cuiabá, devido à alta precoce.

Para o advogado que representa a família, a decisão reforça que houve falhas sucessivas e evitáveis no atendimento. “A paciente foi privada do direito a um tratamento adequado, o que comprometeu diretamente suas chances de evolução clínica”, destacou.

O caso expõe falhas graves na prestação de serviços de saúde e reacende o debate sobre a qualidade do atendimento hospitalar, especialmente em situações críticas como doenças endêmicas, que exigem diagnóstico rápido e manejo rigoroso.

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