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Gisela critica avanço das bets e cobra regras mais rígidas para proteger consumidores

Dirigente do União Brasil em Cuiabá afirma que plataformas de apostas digitais contribuem para endividamento, dependência emocional e crise nas famílias brasileiras

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O retorno de Neymar Jr. à Seleção Brasileira reacendeu também outro debate nacional: o crescimento acelerado das plataformas de apostas online no país. Horas após ser convocado para defender o Brasil na Copa do Mundo, o atacante utilizou as redes sociais para divulgar a plataforma Blaze, promovendo links e ofertas voltadas aos usuários.

A publicação gerou ampla repercussão nas redes sociais e voltou a levantar discussões sobre o impacto das chamadas “bets” na vida financeira e emocional da população brasileira.

Em meio ao debate, a presidente do diretório municipal do União Brasil em Cuiabá, Gisela Simona, afirmou que o avanço das apostas digitais se transformou em um problema social e de saúde pública. Segundo ela, o crescimento do setor tem sido acompanhado pelo aumento de casos de compulsão, superendividamento e transtornos emocionais.

“Estamos diante de uma situação extremamente preocupante. O problema deixou de ser apenas financeiro e passou a atingir diretamente a saúde mental das famílias brasileiras”, declarou.

Conhecida em Mato Grosso pela atuação na defesa do consumidor, Gisela destacou que, durante o período em que atuou na Câmara Federal, apresentou propostas voltadas à regulamentação mais rígida das plataformas digitais de apostas. Entre elas está o Projeto de Lei nº 1561/2026, que prevê mecanismos de proteção aos usuários e punições para empresas que estimulem práticas abusivas.

A dirigente argumenta que as empresas possuem capacidade tecnológica para identificar comportamentos compulsivos e monitorar movimentações financeiras incompatíveis com a renda dos usuários.

“As plataformas sabem exatamente quem aposta, quanto movimenta e quando há sinais claros de descontrole financeiro. Por isso, elas também precisam responder pelos impactos causados”, afirmou.

O projeto propõe alterações no Código de Defesa do Consumidor para enquadrar como abusivas estratégias que incentivem dependência psicológica, retenção excessiva de usuários e endividamento acima da capacidade financeira do apostador.

A proposta também mira mecanismos de gamificação utilizados pelas plataformas, como recompensas progressivas, efeitos sonoros e estímulos visuais projetados para prolongar o tempo de permanência dos usuários nos aplicativos.

Segundo Gisela, o cenário já provoca consequências graves em milhares de famílias brasileiras. “Estamos vendo pessoas perderem patrimônio, salários e equilíbrio emocional. Existem relatos alarmantes envolvendo depressão severa e até casos extremos ligados ao desespero causado pelas dívidas”, alertou.

Nos últimos anos, a relação entre o futebol brasileiro e as casas de apostas se intensificou. Clubes da Série A, atletas e influenciadores digitais passaram a firmar contratos milionários com empresas do setor, ampliando a presença das bets no cotidiano esportivo e nas redes sociais.

Embora o mercado tenha sido regulamentado pela Lei nº 14.790/2023, especialistas ainda apontam lacunas na fiscalização e na proteção ao consumidor diante da rápida expansão das plataformas digitais de apostas no Brasil.

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