O ex-secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso possui caráter político e disse que passou a ser mais cobrado após colocar seu nome à disposição para a disputa eleitoral.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (15), Gilberto declarou que ainda não recebeu uma convocação oficial para prestar depoimento à comissão, mas garantiu que irá analisar a participação assim que for formalmente chamado.
“Não fui oficializado de nenhuma convocação. Sequer sei se tem uma data. Estou analisando. Assim que for convocado, eu tomo a decisão de comparecer e buscar os esclarecimentos que forem necessários”, afirmou.
A convocação do ex-secretário foi aprovada pela CPI no último dia 10, a partir de requerimento do presidente da comissão, deputado estadual Wilson Santos (PSD). O objetivo é ouvir Gilberto sobre fatos relacionados à Operação Espelho, que investiga suspeitas de fraudes e desvios em contratos médicos firmados no Hospital Metropolitano de Várzea Grande.
Ao comentar a investigação, o ex-secretário questionou a análise posterior das decisões tomadas durante o período mais crítico da pandemia da Covid-19. Segundo ele, naquele momento, gestores precisavam agir com rapidez diante da emergência sanitária.
“Depois de três anos de uma pandemia, querer agora, no ar-condicionado, na tranquilidade, em céu de brigadeiro, analisar decisões que nós tomamos no olho do furacão, quando cada minuto fazia diferença para salvar vidas, eu acho incongruente. Mas na política existe isso”, declarou.
Gilberto também afirmou que o debate em torno da CPI ganhou uma dimensão eleitoral e disse que passou a ser mais alvo de críticas depois que começou a ser cogitado como candidato nas eleições de 2026.
“É uma soma de coisas. De alguma forma, isso também vira um palanque eleitoral. Quem está à frente disso também é candidato. A partir do momento em que passo a ser pré-candidato, viro um alvo maior do que era como secretário. Parece que apanho mais agora do que quando estava à frente da Secretaria de Saúde, mas faz parte do jogo”, afirmou.
Apesar das críticas, o ex-secretário disse estar tranquilo em relação à sua atuação durante o período em que comandou a Saúde estadual e defendeu as medidas adotadas durante a pandemia.
“Eu tenho tranquilidade sobre tudo o que fiz. Dei o máximo de mim e coloquei a minha vida em risco para salvar o maior número de pessoas. Agi de acordo com a legislação federal e dentro do que a legislação estadual permitia. Não me arrependo de nada do que fiz”, concluiu.


















