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CNJ analisa nova prorrogação de processo disciplinar contra juiz por acesso a celular de advogado

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai decidir, entre os dias 23 e 30 de junho, se prorroga mais uma vez o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado contra o juiz Wladymir Perri. O magistrado é investigado por ter autorizado o acesso ao telefone celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023, e posteriormente rompido o lacre do aparelho para analisar seu conteúdo.

O pedido de ampliação do prazo será apreciado em julgamento virtual. Esta não é a primeira extensão do processo disciplinar. Em junho de 2025, por exemplo, o CNJ já havia concedido novo prazo de 140 dias para a conclusão das apurações. O procedimento tem como relator o conselheiro Ilan Presser.

A investigação ganhou força após a Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso receber uma representação assinada por quatro promotores de Justiça do Ministério Público Estadual (MPMT). O documento questiona a conduta do magistrado durante a condução das investigações relacionadas ao homicídio de Roberto Zampieri.

Segundo a representação, os promotores consideraram incomum o fato de o juiz autorizar um dos investigados pelo assassinato do advogado — o coronel reformado Etevaldo Caçadini de Vargas — a ter acesso a elementos da investigação e, na sequência, decretar sigilo absoluto dos autos.

Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que o magistrado teria determinado o rompimento do lacre do aparelho com base em uma decisão proferida por ele próprio, reservando exclusivamente para si o acesso ao conteúdo do celular. Conforme os autos, Perri justificou a medida afirmando que precisava verificar a existência de informações envolvendo autoridades com prerrogativa de foro.

O telefone de Roberto Zampieri tornou-se peça central em diversas investigações de grande repercussão nacional. O material embasou procedimentos que resultaram, entre outras medidas, no afastamento de desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e em operações conduzidas para apurar suspeitas de corrupção e negociação de decisões judiciais.

Wladymir Perri deixou a titularidade da 12ª Vara Criminal de Cuiabá após outro episódio que ganhou repercussão pública, relacionado à decretação da prisão de uma mulher durante audiência envolvendo o suspeito de matar seu filho. Desde maio de 2024, o magistrado atua na 3ª Vara Criminal de Várzea Grande.

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