O deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB) anunciou que pretende protocolar um requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso com o objetivo de investigar a atuação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), especialmente a condução do presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo.
Segundo o parlamentar, a iniciativa tem como base a suspeita de uma possível relação política entre Sérgio Ricardo e o senador Wellington Fagundes (PL), que é pré-candidato ao Governo do Estado e teria destinado R$ 20 milhões em emendas parlamentares ao Tribunal de Contas.
“Nós vamos relatar uma parceria de um candidato a governador do Estado que destinou recurso para o Tribunal de Contas, algo inédito que eu nunca vi em nenhum outro Tribunal de Contas no nosso país. Inclusive, eu quero abrir uma CPI, estamos avançando para que nós possamos investigar todas essas ações”, disse nesta quarta-feira (17).
Guarnieri afirmou ainda que haveria uma aproximação entre o presidente do TCE e o senador, citando publicações feitas por Sérgio Ricardo e a repercussão dada por Fagundes. Para o deputado, a situação levantaria questionamentos sobre uma possível atuação conjunta entre os dois.
“O presidente do Tribunal de Contas faz uma postagem, e já é cortada em seguida por um candidato [Wellington Fagundes] que militou partidariamente com ele”, seguiu.
O deputado também criticou o volume de recursos administrados pelo Tribunal de Contas, afirmando que o orçamento da instituição ultrapassa R$ 1 bilhão e classificando o montante como elevado.
O anúncio da CPI ocorre em meio a uma série de divergências públicas entre Chico Guarnieri e Sérgio Ricardo. Nos últimos meses, o presidente do TCE tem realizado fiscalizações que apontaram problemas em obras de grande porte do Estado, principalmente relacionadas à pavimentação asfáltica. A Corte também passou a analisar a aquisição de livros didáticos realizada pelo governo estadual.
A atuação de Sérgio Ricardo gerou reação do governo Otaviano Pivetta (Republicanos), que questionou a postura do conselheiro e afirmou que algumas manifestações estariam antecipando críticas e avaliações antes da conclusão dos processos de auditoria.
Apesar dos questionamentos apresentados por Chico, o Tribunal de Contas de Mato Grosso também recebeu recursos indicados por parlamentares estaduais. Em 2025, lideranças partidárias encaminharam cerca de R$ 27 milhões em emendas para a instituição.

















