O vereador Caio Cordeiro (Novo) protocolou, na terça-feira (19), na Câmara Municipal de Várzea Grande um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a prestação do serviço de transporte coletivo realizada pela concessionária União Transportes. A proposta busca apurar possíveis irregularidades relacionadas à concessão do serviço entre os anos de 2020 e 2025. Entre os principais pontos levantados estão denúncias sobre atrasos frequentes, superlotação, precariedade da frota, problemas de acessibilidade e dificuldades enfrentadas diariamente por passageiros que dependem dos ônibus municipais.
Segundo o documento apresentado pelo parlamentar, a CPI deverá funcionar por 120 dias para analisar contratos, verificar o cumprimento de obrigações contratuais, levantar informações sobre a frota em circulação e identificar eventuais responsabilidades envolvendo a operação do sistema.
O pedido obteve o número mínimo de assinaturas necessárias para instalação da comissão e contou com apoio de vereadores de diferentes partidos. Assinaram o requerimento os parlamentares Adilsinho, Bruno Rios, Caio Cordeiro, Carlinhos Figueiredo, Charles da Educação, Cleyton Nassarden, Jânio Calistro, Joaquim Antunes, Lucas Chapéu do Sol e Rosy Prado. O vereador Rogerinho Dakar, mesmo licenciado, também manifestou apoio público à investigação.
Entre as suspeitas apontadas na documentação está a possível diferença entre a quantidade de ônibus informada oficialmente pela empresa e o número real de veículos disponíveis para atender a população. Conforme os dados anexados ao pedido, embora a concessionária declarasse possuir 58 ônibus, registros internos teriam indicado, em determinado período, apenas 29 veículos em circulação para atender 36 linhas municipais.
Antes da formalização da CPI, Caio Cordeiro já vinha realizando ações de fiscalização sobre o sistema de transporte coletivo. Em maio de 2025, o vereador apresentou uma Carta Convite convocando representantes da União Transportes para prestar esclarecimentos públicos na Câmara Municipal. Entre os questionamentos feitos estavam temas ligados à idade média da frota, quantidade de ônibus ativos, manutenção dos veículos, acessibilidade, segurança e monitoramento em tempo real.
O tema também foi discutido durante audiência pública realizada em 25 de março de 2026, na Câmara de Várzea Grande. O encontro reuniu representantes da Procuradoria-Geral do Município, Secretaria de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, AGER-MT, Ministério Público, lideranças comunitárias e usuários do sistema. A ausência de representantes da empresa foi criticada durante o debate.
Na audiência, moradores relataram problemas como longas esperas nos pontos, ônibus lotados, falhas mecânicas, ausência de ar-condicionado, problemas em rampas de acessibilidade, alterações de linhas sem aviso prévio e insegurança em trajetos noturnos. Também houve reclamações sobre falta de fiscalização e dificuldades enfrentadas por idosos, estudantes e pessoas com deficiência.
Além da movimentação no Legislativo municipal, a situação do transporte coletivo de Várzea Grande também é acompanhada pelo Ministério Público de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado, que já discutem medidas relacionadas ao contrato da concessão e à necessidade de uma nova licitação para o sistema.
Na justificativa apresentada, Caio Cordeiro afirma que a CPI busca esclarecer se houve descumprimento de obrigações previstas no contrato e identificar quais medidas poderão ser adotadas para melhorar a qualidade do serviço oferecido à população. Mantendo as críticas ao atual cenário do transporte coletivo, o vereador defende que a investigação represente uma resposta institucional diante das reclamações acumuladas ao longo dos últimos anos.


















