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Assembleia de MT vai recorrer contra decisão que acaba com voto secreto em vetos do Governo

Presidente da ALMT, Max Russi afirma que modelo atual será mantido até decisão definitiva da Justiça
Crédito - Gilberto Leite/ALMT

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O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (Podemos), afirmou que o Legislativo estadual pretende recorrer da decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso que declarou inconstitucional a votação secreta na análise de vetos do Governo do Estado.

Atualmente, os vetos governamentais são apreciados de forma sigilosa pelos parlamentares da Casa. Após a decisão do Judiciário, Max declarou que a Assembleia irá cumprir as determinações legais, mas também buscará reverter a medida por meio de recursos judiciais.

“Decisão judicial a gente não discute, a gente cumpre. Agora a gente vai buscar todos os meios, todos os recursos e seguir nessa discussão”, declarou.

O parlamentar argumentou que eventuais mudanças sobre o formato de votação deveriam ser discutidas internamente pelo próprio Poder Legislativo, por meio de alterações na Constituição Estadual e no regimento interno da Assembleia.

“Eu acho que a gente tem formas de estar alterando a nossa Constituição, o nosso regimento, através da votação aqui dentro”, afirmou.

Segundo Max Russi, a Procuradoria da Assembleia Legislativa já foi acionada para elaborar o recurso assim que a Casa receber oficialmente a notificação da decisão judicial. Apesar da intenção de recorrer, ele reforçou que qualquer decisão definitiva será respeitada pelo parlamento.

“No final, a decisão que vier da Justiça a gente vai cumprir”, disse.

Enquanto o processo não tiver trânsito em julgado, a orientação dentro da Assembleia será pela manutenção das votações secretas durante a análise dos vetos do Executivo estadual.

“A derrubada de vetos continua de forma secreta. Na hora que tiver uma decisão final transitada e julgada, aí a gente vai cumprir essa decisão final. Até o momento a gente nem notificado foi”, completou.

A decisão que motivou a reação da Assembleia foi tomada por unanimidade pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso na última segunda-feira. Os desembargadores consideraram inconstitucional o trecho da Constituição Estadual que autorizava o voto secreto nesse tipo de deliberação parlamentar.

O julgamento ocorreu durante análise de um mandado de segurança movido pelo Sindicato dos Servidores do Judiciário de Mato Grosso. A ação questionava a manutenção do veto do Governo do Estado ao reajuste salarial de 6,8% da categoria. Na ocasião, o veto foi mantido pela Assembleia por 12 votos a 10, em votação sigilosa.

No processo, o sindicato argumentou que o modelo adotado pela Assembleia contrariava princípios previstos na Constituição Federal, especialmente os relacionados à publicidade e transparência dos atos públicos. O entendimento foi acompanhado pelo relator do caso, desembargador Márcio Vidal, que defendeu a necessidade de garantir aos cidadãos acesso à forma como votam seus representantes.

“O cidadão somente pode exercer controle político sobre seus representantes se lhe for assegurado o conhecimento acerca da forma como votam aqueles que exercem mandato popular. O voto secreto, em deliberação parlamentar dessa natureza, rompe o vínculo de responsabilização política entre representante e representado, obscurecendo aquilo que, em uma democracia constitucional, deve permanecer visível”, concluiu.

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