O prefeito eleito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), revelou nesta quinta-feira (12) que a atual gestão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) está se beneficiando financeiramente ao manter pacientes internados no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) por mais tempo do que necessário. Durante uma visita técnica ao hospital, Brunini afirmou ter encontrado documentos que comprovam a prática.
Segundo Brunini, os pacientes são mantidos internados sem necessidade real, enquanto a prefeitura instaura processos como se esses pacientes estivessem realizando procedimentos, exames e acumulando diárias hospitalares.
“Eu levei o promotor até uma sala que tem no final do hospital onde tem um “mundaréu” de papel naquela sala. E mostrei para o promotor o seguinte: a atual gestão se beneficia de certa forma por fazer com que os pacientes fiquem aqui. Ganha diária do Ministério da Saúde, coloca processo dentro como o paciente estivesse a cada dia sendo atendido por psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, e, muita das vezes, esse processo não acontece dentro da sala da enfermaria. Mas, está sendo julgado dentro do processo”, disse.
A denúncia será encaminhada ao desembargador Orlando Perri, conforme informado por Brunini. O promotor de Justiça Milton Mattos, designado pelo procurador-geral Deosdete Cruz Júnior para monitorar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) vigente na Saúde da Capital, acompanhou Abilio na visita, teve acesso aos documentos e está envolvido na investigação.
ECSP e SMS refutam declarações
Em nota, a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) refutaram o que consideraram como “falsas” as declarações do prefeito eleito, Abílio Brunini, sobre internações desnecessárias.
Leia abaixo, na íntegra, a nota divulgada:
A Empresa Cuiabana de Saúde Pública e a Secretaria Municipal de Saúde vêm a público esclarecer as falsas informações divulgadas pelo prefeito eleito:
As declarações realizadas na tarde de quinta-feira (12) são descabidas e infundadas.
Respaldada pela lógica, é impossível a avaliação de centenas de prontuários médicos em um período inferior a duas horas, culminando em acusações tão graves.
Além disso, torna-se ainda mais inverossímil considerar tais alegações, dado o quadro clínico e administrativo composto por centenas de profissionais que, diariamente, atendem pacientes de Cuiabá, Várzea Grande e diversas cidades do interior.
As equipes do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) trabalham com ética, responsabilidade e compromisso com a saúde da população, sempre em conformidade com as normas e diretrizes legais, garantindo o melhor atendimento possível aos pacientes.
A diretoria e corpo clínico do HMC ressaltam que a permanência de pacientes internados é uma decisão estritamente médica, fundamentada nas necessidades individuais de cada paciente.
Causa estranheza que uma acusação tão infundada seja feita em um momento em que é crucial debater o Programa de Pactuação Integrada junto ao governo federal, especialmente no que se refere aos valores destinados ao cofinanciamento da saúde, que estão defasados há mais de uma década, conforme apontado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
É lamentável que o uso de palavras vazias e a guerra de narrativas se sobreponham a uma discussão uníssona, cujo único propósito deveria ser assegurar a continuidade e a qualidade dos atendimentos de saúde.




















