O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, demonstrou surpresa com os valores envolvidos na compra de livros pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, alvo de denúncias feitas pelo prefeito Abilio Brunini (PL). As suspeitas apontam possíveis irregularidades em contratos que podem ter causado prejuízo superior a R$ 80 milhões aos cofres públicos.
Durante declaração nesta quinta-feira (28), Sérgio Ricardo afirmou que os preços atribuídos aos materiais chamaram atenção da Corte de Contas e garantiu que o caso será analisado pelo tribunal.
“Compro muitos livros há anos e raramente encontro exemplares acima de R$ 100. Faz muito tempo que não vejo um livro custando R$ 200. Quero entender que material é esse que chegou a R$ 370 ou até R$ 800”, declarou.
As declarações ocorreram após o prefeito revelar que parte dos livros adquiridos teria custado mais de R$ 800 por unidade e que alguns conteúdos apresentariam indícios de produção por inteligência artificial.
Segundo Sérgio Ricardo, além dos valores elevados, também causaram preocupação a forma de contratação, os pedidos de pagamento e os procedimentos adotados para aquisição dos materiais didáticos.
“O que vimos sobre os valores, os pagamentos e a maneira como os processos foram conduzidos realmente chama atenção”, afirmou.
O presidente do TCE disse ainda que pretende reunir professores da rede municipal para avaliar a qualidade e a utilização dos livros comprados pela Prefeitura.
“Quero pegar alguns exemplares, reunir os professores e entender se esses materiais realmente foram utilizados e qual foi o aproveitamento deles em sala de aula”, explicou.
Enquanto isso, o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, compareceu à Câmara de Cuiabá nesta quinta-feira para prestar esclarecimentos sobre o caso. Ele negou irregularidades nas aquisições e afirmou que a pasta enfrenta um possível déficit superior a R$ 100 milhões, alertando para risco de colapso financeiro na gestão da Educação.
Paralelamente, dois pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) já tramitam na Câmara Municipal para investigar o suposto rombo na Secretaria de Educação. Os requerimentos foram apresentados pelos vereadores Demilson Nogueira (PP) e Maysa Leão (Republicanos).






















