O relatório técnico da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) aponta indícios de que recursos públicos oriundos de emendas parlamentares teriam sido utilizados para custear obras em uma propriedade privada pertencente ao vereador de Cuiabá Francisco Carlos Amorim Silveira, conhecido como Chico 2000. Segundo a Polícia Civil, os valores teriam sido pagos de forma indireta, por meio de repasses realizados após a execução de eventos esportivos financiados com dinheiro público.
De acordo com o documento, as emendas impositivas destinadas pelo parlamentar ao Instituto Brasil Central (IBRACE), entidade sem fins lucrativos formalmente responsável pela realização de corridas de rua na capital, teriam sido operacionalizadas, na prática, pela empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda., de propriedade do empresário João Nery Chiroli. Após o recebimento dos recursos públicos, parte dos valores teria sido transferida a um terceiro vinculado a interesses particulares do vereador.
A Polícia Civil identificou que pagamentos foram realizados em favor de Jovani José de Almeida, descrito no relatório como pedreiro e construtor contratado para executar obras em uma pousada pertencente ao vereador Chico 2000. As transferências financeiras, segundo os investigadores, ocorreram após o repasse dos recursos públicos ao instituto e à empresa organizadora dos eventos, o que pode caracterizar desvio de finalidade.
O relatório aponta ainda que a articulação dos pagamentos teria contado com a atuação de Rubens Vuolo Junior, chefe de gabinete do vereador. Conforme a investigação, Vuolo teria recebido os comprovantes das transferências realizadas a Jovani José de Almeida e repassado as informações diretamente ao parlamentar por meio de mensagens via WhatsApp.
Para a Deccor, o conjunto de elementos indica que o Instituto Brasil Central teria funcionado como intermediário formal para o recebimento das verbas públicas, enquanto a execução dos eventos e a movimentação financeira efetiva ocorreriam por meio da empresa privada ligada a João Nery Chiroli, com posterior retorno de valores em benefício pessoal do vereador.
Os investigadores destacam que o material analisado foi extraído de dispositivos eletrônicos apreendidos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão e integra procedimento específico encaminhado à autoridade policial para adoção das medidas legais cabíveis. O relatório não antecipa conclusões judiciais, mas aponta indícios que, segundo a Polícia Civil, demandam aprofundamento investigativo.
















