Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Empresa de mineração de ouro de Poconé investe em tecnologia para acabar com uso de mercúrio

Utilização da máquina canadense IRLL a partir de agosto já reduziu o uso de mercúrio em 75% e a partir do próximo ano a mineradora irá eliminar em 100% a utilização do produto
Divulgação

publicidade

O empresário Valdinei Mauro de Souza, proprietário da Salinas Gold, de Poconé (104 km de Poconé), afirmou que pretende, até o fim de 2023, acabar com o uso do mercúrio em seus garimpos. Para isso, ele fez a contratação de uma máquina canadense que possui um sistema de apuração de ouro sem o uso de mercúrio. Outra iniciativa também já recebeu as licenças Prévia (LP) e de Instalação (LI) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e atende ao protocolo mundial.

De acordo com o empresário, de agosto para cá, quando a máquina canadense IRLL foi instalada, a utilização do mercúrio no processo foi reduzida em 75%. E a partir do próximo ano, a mineradora irá eliminar em 100% a utilização do produto.

“A Salinas Mineração é a primeira empresa a eliminar o mercúrio. Fizemos um investimento em laboratório, uma máquina canadense. Por mais que no Brasil tenha um tratado que poderia usar até 2025 o mercúrio. Com tudo isto, acredito que em 2023 a gente já eliminou 100% aqui em Mato Grosso. Em Poconé, isso deve acontecer rápido, deveremos revolucionar o setor”, explicou o empresário.

A Salinas é a primeira mineradora de Mato Grosso a operar com uma máquina canadense IRLL. Foto: Divulgação

Segundo Nei Garimpeiro, como é conhecido, a operação da Polícia Federal (PF) que teve uma de suas empresas como alvo, por suposta compra ilegal de mercúrio, fez acelerar o processo, mesmo ele alegando que nada tem a ver com o esquema e que todas as compras foram feitas com nota e de boa fé.

“O mercúrio, quando utilizado indevidamente, sem o devido controle ambiental, pode causar diversos danos à saúde e ao meio ambiente, e não utilizá-lo representa um avanço importante. É um exemplo para outros empreendimentos de mineração de ouro do estado, e até para o restante do Brasil”, avalia a coordenadora de Mineração da Sema, Sheila Klener.

Máquina canadense IRLL vai zerar o uso do mercúrio em 2023

Máquina mineira

Também em Poconé, está em fase de instalação em um garimpo uma máquina com um sistema de apuração de ouro sem o uso de mercúrio.

O geólogo André Molina, presidente da Cooperativa de Desenvolvimento Minerais de Poconé (Cooper Poconé), explica que a máquina foi construída por uma empresa de Minas Gerais e os estudos para o desenvolvimento do projeto duraram quase cinco anos. O aparelho está em fase de testes até a obtenção da Licença de Operação (LO) junto à Sema.

Segundo o proprietário da Mineração São Rafael, Sidnei Rafael de Souza, a preocupação com o uso do mercúrio e a busca por inovação do sistema por meio de novas tecnologias, somaram com a vontade política de se construir o equipamento.

“Temos a preocupação com a questão do mercúrio e eu acho importante criarmos meios de eliminarmos o uso do nosso processo e assim utilizamos as tecnologias e pesquisas disponíveis para nos auxiliar no projeto. Então agora não somente Poconé, mas a baixada cuiabana e Mato Grosso serão inspiração para o resto do país”.

 

O equipamento utiliza um sistema denominado “Pelicano”, que usa cianeto de sódio para fazer a “lavagem” do ouro, uma substância que pode ter os resíduos tratados para descarte, sem gerar os danos ao meio ambiente atribuídos ao mercúrio.

De acordo com Igor Justino Fernando, CEO da Brastorno, empresa mineira que construiu o equipamento batizado de Sistema Pelicano, o objetivo é criar uma rede de conscientização entre os donos de mineradoras e, à medida que eles adotarem estas responsabilidades ambientais, mais projetos como estes deverão ser executados.

 

Para Pedro Eugênio, diretor de Operações do Grupo Fênix, comercializadora de Ouro, Mato Grosso segue como exemplo e referência de boas práticas ambientais e de processos inovadores. “Poconé sendo referência, com uma mineração de baixa escala, atuando de forma responsável e reconhecida no mundo inteiro como saudável e ambientalmente correta”.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade