O deputado bolsonarista, Gilberto Cattani (PL), afirmou que a situação calamitosa do povo Yanomami, maior reserva indígena do Brasil em extensão, localizada em Roraima, é uma “crise importada”. Apesar de não citar, o parlamentar usa uma fake news que estava sendo propagada por redes sociais, de que os indígenas seriam da Venezuela, o que já foi negado por diversos órgãos e entidades. O local tem sido palco de uma tragédia humanitária, deixando vítimas de desnutrição e da malária – resultado da invasão dos garimpeiros na região.
“A crise que importaram de um país vizinho e trouxeram para o Brasíl é constante em todo país socialista. Nunca houve maltrato por conta do governo Bolsonaro, muito pelo contrário”, disse o parlamentar, para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Porém, dados divulgados pela Agência Brasil, apontam que Bolsonaro recebeu diversos ofícios encaminhados em 2021 pela Defesa Civil de Roraima com pedidos para que fossem realizadas ações humanitárias de apoio à Terra Indígena Yanomami.
Os documentos também foram encaminhados ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e ao Ministério do Desenvolvimento Regional, à época sob a liderança de Damares Alves e Rogério Marinho.
Mesmo assim, o deputado optou por voltar aos olhos onde as coisas funcionam. “Em Campo Novo do Parecis, por exemplo, os povos indígenas jamais vão passar de qualquer tipo de necessidade graças a Bolsonaro, lá eles estão operando uma máquina de R$ 3 milhões, produzindo a própria soja”.
Pesquisas revelaram que o garimpo ilegal na região onde os indígenas vivem cresceu 54% no último ano de gestão do ex-chefe do Planalto.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (União), anunciou a criação de uma comissão para acompanhar a situação dos indígenas em Mato Grosso. Segundo o presidente da Casa de Leis, a situação exposta em Roraima foi um alerta para todos.
Fake news
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), esclarece que as comunidades indígenas venezuelanas, recebidas pela Operação Acolhida, em Roraima, não têm relação com população Yanomami, vítima de grave omissão em políticas sociais e do garimpo ilegal.
A presidenta do Conare, Sheila de Carvalho, explica que se trata de situações humanitárias distintas. “São mais de centenas de quilômetros que separam essas duas realidades humanitárias. Para além de serem demandas diferentes, aqui em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, há um sistema de acolhida, com apoio interministerial e de agências internacionais, que atende milhares de pessoas por dia – indígenas ou não. Enquanto isso, os Yanomami são indígenas brasileiros vivendo em comunidades no território nacional, onde, há anos, existe negligência sistêmica por parte do Estado, situação que gerou um genocídio desses povos que, por isso, necessitam urgentemente de uma ação emergencial”.
Ela destaca que, atualmente, existem cinco etnias principais de indígenas venezuelanos que buscam refúgio no Brasil e são recepcionadas no âmbito da Operação Acolhida: Warao (70%), os Pemón (24%), os Eñepá (3%), os Kariña (1%) e os Wayúu (1%). “É falsa toda e qualquer informação que tenta vincular as etnias indígenas venezuelanas que estão sendo recebidas pela Operação Acolhida da situação que está acontecendo com os povos indígenas Yanomami. São povos indígenas diferentes, com nacionalidades e necessidades distintas”, pontua.


















