A eleição de 2026 promete produzir alianças improváveis em Mato Grosso. Um dos casos que já movimenta os bastidores envolve o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), uma das principais lideranças da direita no Estado, e o ex-ministro da Agricultura Neri Geller, que deve disputar uma vaga na Câmara Federal.
Embora estejam em campos políticos historicamente distintos, interlocutores avaliam que a relação de ambos com o empresário Odílio Balbinotti poderá aproximar seus projetos eleitorais.
Balbinotti foi um dos principais apoiadores da campanha de Cláudio Ferreira à Prefeitura de Rondonópolis em 2024, contribuindo politicamente para a consolidação do projeto vitorioso do liberal. Agora, o empresário surge novamente como personagem central nas articulações para 2026.
Nos bastidores, a avaliação é de que Balbinotti tende a atuar fortemente em favor da candidatura de Neri Geller a deputado federal. Caso esse cenário se confirme, aumentará a pressão política para que integrantes de seu grupo também caminhem na mesma direção.
O movimento chama atenção porque Neri construiu sua trajetória política próximo aos governos petistas. Além de ter sido ministro da Agricultura no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-deputado manteve diálogo frequente com lideranças ligadas ao campo da centro-esquerda nacional.
Já Cláudio Ferreira foi eleito com forte identificação junto ao eleitorado conservador e ao bolsonarismo. A eventual convivência no mesmo palanque poderia representar uma das maiores contradições políticas da próxima eleição em Mato Grosso: uma liderança da direita ajudando a impulsionar um ex-ministro de Dilma.
O peso de Balbinotti nessa equação não é pequeno. Além de ser um dos maiores empresários do agronegócio brasileiro, ele também aparece como nome cotado para compor a chapa ao Senado como suplente do deputado federal José Medeiros (PL). Próximo de lideranças conservadoras nacionais, o empresário é visto como um dos nomes mais prestigiados pelo grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro em Mato Grosso.
Por enquanto, nenhum dos envolvidos confirma oficialmente qualquer alinhamento eleitoral. Mas, nos bastidores, cresce a percepção de que as relações políticas e empresariais poderão falar mais alto do que as diferenças ideológicas quando a campanha de 2026 ganhar as ruas.
E, se isso ocorrer, Rondonópolis poderá assistir a uma cena que poucos imaginariam há alguns anos: um prefeito eleito pela direita dividido entre a fidelidade ao seu campo político e os compromissos construídos dentro do próprio grupo de aliados.

















