O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o pedido da defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, para suspender o júri popular marcado para 7 de julho, em Cuiabá. A defesa também tentou transferir o julgamento para outro Estado, alegando forte repercussão social e midiática do caso.
Carlinhos é acusado de matar a ex-companheira, a advogada Thays Machado, e o namorado dela, Willian César Moreno, em janeiro de 2023, no bairro Consil, na Capital. Segundo as investigações, o empresário perseguiu o casal e efetuou os disparos em plena via pública após não aceitar o fim do relacionamento.
Na decisão, Og Fernandes afirmou que não há previsão legal para retirar o julgamento de Mato Grosso. O ministro também afastou a tese de parcialidade dos jurados, destacando que a notoriedade do pai do acusado, o ex-governador Carlos Bezerra, não compromete automaticamente a imparcialidade do Tribunal do Júri.
A defesa sustentou que manifestações populares, cobertura intensa da imprensa e até trechos de decisões judiciais anteriores teriam contaminado o julgamento. O argumento, porém, foi rejeitado pelo STJ. Para o ministro, indignação pública diante de crimes graves não é suficiente para anular ou deslocar um júri popular.
Og Fernandes ainda destacou que Cuiabá possui população expressiva e diversidade de opiniões, afastando a alegação de que a repercussão do caso impediria um julgamento justo. A defesa também alegou risco à integridade física de Carlinhos, mas o magistrado afirmou que não há provas concretas de ameaças atuais que justifiquem a transferência do júri.




















