Um jovem morador da região de Denise denunciou ter sido vítima de tortura e violência sexual durante uma abordagem policial dentro de casa. O caso ganhou repercussão após o laudo de corpo de delito apontar edema, fissura anal e fragmentos compatíveis com madeira no corpo da vítima.
Segundo o relato, a abordagem ocorreu enquanto ele alimentava o filho mais novo no colo, dentro da residência, enquanto a esposa preparava comida. O rapaz afirmou ter ouvido o portão sendo aberto e, ao verificar a situação, encontrou policiais já dentro do imóvel.
Ele contou que foi colocado no chão e questionado sobre drogas na residência. Conforme o depoimento, mostrou uma pequena quantidade de maconha que mantinha para uso pessoal. Após isso, os policiais teriam iniciado agressões físicas e passado a exigir informações sobre outras drogas e acesso ao celular dele.
Ainda de acordo com a denúncia, a mãe do jovem questionou se os policiais possuíam mandado judicial, momento em que teria sido agredida por um sargento. O rapaz afirma que foi empurrado para o quintal e levado para um cômodo da casa, onde as agressões continuaram.
O jovem relata que, diante da recusa em entregar o celular e fornecer informações, os policiais colocaram um saco plástico em sua cabeça e utilizaram um cabo elétrico para agredi-lo. Parte da violência teria acontecido na frente da esposa e dos filhos.
Após a abordagem, ele foi levado inicialmente para o quartel da Polícia Militar em Denise. Em seguida, acabou encaminhado para a Delegacia de Barra do Bugres, onde permaneceu preso até a audiência de custódia realizada no dia seguinte. Foi nesse momento que formalizou a denúncia de tortura e violência sexual.
Durante os procedimentos periciais, o rapaz relatou à médica responsável pelo exame que teria sofrido estupro com um cabo de vassoura durante a ação policial. O laudo apontou lesões compatíveis com introdução de objeto na região anal, além de diversas escoriações nos braços, punhos, costas, regiões ilíacas e glúteas. Segundo os peritos, os demais ferimentos foram provocados por instrumento contundente.
Em nota, o promotor de Justiça de Barra do Bugres, Roberto Arroio Farinazzo Junior, informou que o Ministério Público instaurou procedimento investigatório criminal assim que tomou conhecimento formal do caso. Segundo ele, testemunhas já começaram a ser ouvidas e, caso a prática de tortura seja confirmada, os policiais envolvidos poderão ser responsabilizados criminalmente.
O jovem afirmou que decidiu seguir com a denúncia mesmo após supostas ameaças feitas pelos agentes. “Espero que a justiça seja feita e que os responsáveis respondam pelos atos que cometeram”, declarou.
veja a entrevista:

















