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Energisa leva energia trifásica à zona rural e reduz custos para produtores de Mato Grosso

A solução encontrada foi justamente a parceria com o governo estadual, que agora assume essa contrapartida, permitindo que a distribuidora execute um plano de desenvolvimento para regiões estratégicas da economia mato-grossense

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O governador de Mato Grosso anunciou um decreto que estabelece uma parceria inédita com a Energisa Mato Grosso para levar melhorias no fornecimento de energia elétrica, especialmente no interior do estado. A medida atende a uma demanda antiga da população, sobretudo de produtores rurais que, para ampliar suas atividades, esbarravam nos altos custos das obras de conexão ao sistema trifásico.

De acordo com o diretor-presidente da Energisa Mato Grosso, Marcelo Vinhaes Monteiro, a regulamentação atual exige que o cliente arque com a contrapartida financeira para obras de ampliação de carga, como as que viabilizam a energia trifásica.

“A gente via que aqui no Mato Grosso, pelas grandes dimensões do estado, os custos das obras eram muito elevados. Ficava pesado para o cliente. Infelizmente, a Energisa não pode descumprir a legislação”, explica o diretor.

A solução encontrada foi justamente a parceria com o governo estadual, que agora assume essa contrapartida, permitindo que a distribuidora execute um plano de desenvolvimento para regiões estratégicas da economia mato-grossense.

Diferentemente do que alguns podem imaginar, o investimento não se limita às sedes municipais. Marcelo Vinhaes esclarece que 100% dos municípios de Mato Grosso já são atendidos por sistema trifásico. O grande desafio está na zona rural, onde os programas de universalização do passado, como Luz para Todos e Luz no Campo, priorizaram a chamada energização monofásica, que leva a primeira energia às comunidades.

“Com o tempo, as pessoas foram se desenvolvendo. O agricultor melhorou de vida, está precisando de uma demanda maior. Quem produz leite, por exemplo, coloca um refrigerador. Isso já exige mais potência”, detalha o diretor. O objetivo do novo programa, batizado como “Trifásico”, é justamente levar grandes troncos de distribuição trifásica para o interior, barateando as conexões e permitindo que pequenos e médios produtores desenvolvam suas atividades com mais robustez.

A parceria com o governo estadual integra um plano mais amplo de investimentos da Energisa, que se estende até 2030. O foco está na melhoria das redes existentes e na expansão para novas ligações. “A distribuição de energia tem que estar sempre à frente do estado”, afirma Marcelo Vinhaes.

Ele revela um dado expressivo: atualmente, a empresa tem o dobro da capacidade necessária para atender Mato Grosso. “O estado pode dobrar de tamanho que a gente tem condições de atender. É sempre olhar o Mato Grosso no futuro, não no presente. Quando surge a necessidade, a gente tem que estar pronto.”

Marcelo Vinhaes lembrou que a Energisa está no estado há quase 12 anos, tendo assumido o serviço em 2014, após uma intervenção federal no operador anterior, que não honrava seus compromissos. “A operação do estado ficou extremamente prejudicada”, reconhece.

Desde então, segundo ele, os investimentos vêm sendo feitos de forma escalonada. “Se fizéssemos todos de uma vez, isso provocaria um crescimento absurdo da tarifa, tornando a conta impagável e prejudicando a competitividade da indústria e do comércio”, justifica.

O novo contrato de concessão, que vigorará pelos próximos 30 anos, foi precedido de consulta pública promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A partir das contribuições da sociedade, o modelo passa a exigir melhorias na qualidade do serviço, novos padrões de atendimento, modelos de investimento e respostas mais rápidas a contingências. “O contrato novo atende anseios da sociedade”, resume o diretor.

Perguntado sobre um exemplo concreto da deficiência histórica no fornecimento de energia, Marcelo Vinhaes relembrou uma declaração do próprio governador há cerca de dois anos. Na ocasião, o chefe do Executivo estadual citou o caso de uma grande empresa de tecnologia que desejava instalar-se na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres. O consumo estimado seria superior ao de toda a cidade na época.

Com os novos investimentos e a modernização da rede, a expectativa é que situações como essa possam ser superadas. A combinação entre a expansão do sistema trifásico na zona rural, a contrapartida assumida pelo estado e as exigências da nova concessão formam, na visão da Energisa, a base para que Mato Geresso, um estado de grandes dimensões e vocação agroindustrial, possa continuar crescendo sem ser travado pela falta de infraestrutura elétrica.

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