A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou na quinta-feira (14) que não teme perder o mandato, mesmo diante da crise política no município e de uma denúncia encaminhada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre suposta articulação de vereadores para cassá-la. A declaração foi dada ao deixar a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), onde apresentou denúncia contra o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB).
“Eu não tenho medo do processo referente à minha cassação. Isso está tranquilo para mim. Não tenho prejuízo nenhum. A gente vai trabalhar e fazer o que tem que fazer”, declarou.
A prefeita também minimizou a reeleição de Wanderley para a presidência da Mesa Diretora da Câmara. O emedebista venceu por margem mínima o vereador Lucas Chapéu do Sol (PL), aliado de Flávia.
Segundo a gestora, o resultado mostra que há divisão no Legislativo, mas também demonstra que a administração conseguiu formar uma base considerada forte. Ela afirmou que os 11 vereadores que votaram em Lucas compartilham da mesma visão de trabalho em favor da população.
Flávia reconheceu que precisa ampliar o diálogo com a Câmara e afirmou que a relação institucional ainda será construída. Para ela, o cenário atual já representa avanço na governabilidade em comparação ao início da gestão.
A prefeita disse que caberá à Justiça definir se a sessão que reconduziu Wanderley ao comando da Câmara é válida. Enquanto isso, afirmou que pretende fortalecer o planejamento orçamentário para garantir condições de governar até o fim do mandato.
Moretti citou a chegada da secretária Neia ao Planejamento como parte da estratégia para elaborar uma Lei Orçamentária Anual mais sólida em 2027. A prefeita também defendeu a construção de apoio para aprovar uma margem de remanejamento superior a 30% no Legislativo.
A crise política ocorre em meio a uma denúncia enviada ao Gaeco, que aponta suposto conluio envolvendo 12 vereadores, sob liderança do presidente da Câmara, com objetivo de articular a cassação da prefeita.
Flávia também levantou suspeitas de coação contra parlamentares que, segundo ela, teriam permanecido em uma chácara até as vésperas da eleição da Mesa Diretora. Para a prefeita, o voto em uma eleição interna da Câmara deve ser livre e não pode ocorrer sob pressão.
“Para mim, isso é uma coação”, afirmou.
Ao rebater especulações sobre perda de mandato, a prefeita citou decisão recente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), que manteve, por unanimidade, a sentença de primeira instância em uma ação eleitoral contra ela.
No processo, Flávia foi acusada de disseminar fake news contra o ex-prefeito Kalil Baracat (MDB) e de suposto uso de caixa dois na campanha de 2024. Os magistrados entenderam que os fatos não tinham gravidade suficiente para justificar a cassação do mandato.


















