O técnico do Cuiabá, Eduardo Barros, prestou depoimento na tarde desta quinta-feira (14) ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva e apresentou sua versão sobre a confusão com Thiago Carpini, treinador do Fortaleza, durante o confronto entre as equipes pela terceira rodada da Série B. No relato, ele afirmou que reagiu após ver um auxiliar do Cuiabá ser empurrado à beira do campo.
Segundo Eduardo, a situação teve início em uma substituição no segundo tempo. O treinador explicou que um jogador do Fortaleza deixou o gramado antes da troca ser concluída e, por já ter vivenciado um caso parecido em outra equipe, passou a observar a movimentação para entender se havia erro no procedimento. “Quando eu vi que o jogador adversário saiu do campo e a comissão técnica do Fortaleza queria que ele retornasse, o meu primeiro instinto foi lembrar de uma situação que ocorreu quando eu trabalhava em outro clube, no Fluminense, e ver se haveria algum tipo de erro na substituição que impossibilitasse desse jogador retornar para o campo.”
Enquanto acompanhava a situação, Eduardo disse que seu auxiliar deixou a área técnica e foi em direção ao local da discussão. Foi nesse momento, segundo ele, que viu Carpini se aproximar do integrante da comissão do Cuiabá e iniciar o contato físico. “Quando eu vejo este movimento, eu percebo o deslocamento do treinador adversário em direção ao meu auxiliar, fazendo o gesto para que ele se afaste, seguido de um empurrão no peito do meu auxiliar técnico.”
O treinador afirmou que, ao presenciar a cena, reagiu no mesmo instante. Segundo ele, a atitude foi impulsiva e aconteceu na tentativa de defender o membro de sua comissão técnica. “Quando eu vi esse empurrão, eu tive uma reação imediata e emocional de empurrá-lo ao mesmo tempo. Então eu me dirijo onde estava o meu auxiliar técnico com o treinador adversário e o empurro.”
Durante o depoimento, Eduardo reforçou que, na avaliação dele, o episódio não pode ser tratado como agressão física, mas como uma troca de empurrões em meio ao clima de tensão da partida. “Acho que eu não classificaria isso como uma agressão, mas uma troca de empurrões.”
O técnico também afirmou que tentou convencer a arbitragem a revisar as imagens para identificar a origem da confusão, mas não teve o pedido atendido. “Tentei, sem sucesso, pedir para a equipe de arbitragem verificar o lance no VAR, porque no VAR veria a origem de toda a confusão.”
Ao falar sobre a situação relatada na súmula no túnel de acesso aos vestiários, Eduardo contestou a versão registrada pelo árbitro André Luiz Schettino, que apontou tentativa de nova agressão entre os treinadores após a expulsão. “Relato com convicção, exatidão e verdade que eu, no túnel de acesso, não me dirijo ao treinador adversário para agredi-lo e eu não sou contido por ninguém.”
Na sequência, o comandante do Cuiabá afirmou que deixou o gramado em direção ao vestiário e que, em sua visão, quem manteve a postura agressiva foi Carpini. “Quem tentou continuar em agressão, quem tentou continuar em uma questão mais, no meu entendimento, foi o treinador rival, que precisou ser contido.”
Questionado pelos auditores, Eduardo destacou que nunca havia respondido a qualquer processo disciplinar no tribunal e citou o tempo de carreira no futebol. “Eu estou no futebol profissional há 13 anos. Se considerar o período em que fui atleta de base, já são pelo menos 30 anos no futebol. Nunca fui expulso ou denunciado neste tribunal.”
Eduardo e Thiago Carpini foram denunciados com base no artigo 254-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de agressão física. Em caso de condenação, a pena prevista é de suspensão entre quatro e 12 partidas.

















