Ao analisar a derrota na eleição para a presidência da Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF), João Dorileo Leal destacou que o pleito trouxe uma disputa inédita após décadas de controle histórico. Se o processo eleitoral de maio tivesse sido mantido, ele acredita que poderia ter saído vitorioso, mas a criação da terceira via, apoiada por setores influentes da CBF, conhecida como a “máquina”, acabou mudando o rumo da eleição. Dorileo avaliou que, embora tenha perdido, a disputa trouxe à tona discussões sobre futebol, projetos para os clubes e a importância de uma democracia efetiva na Federação, rompendo o longo ciclo de 48 anos de liderança entre Carlos Orione e os oito anos de Aron Dresch.
“Eu acho o seguinte, que há um saldo positivo nisso tudo. Porque se não fosse a nossa entrada para discutir o processo eleitoral, ele teria terminado lá em maio com a reeleição do Aron, que acabou deixando a Federação depois de oito anos”, afirmou Dorileo. Ele ressaltou que a eleição devolveu competitividade real ao processo. “Depois de 48 anos, 40 anos de Carlos Orione e 8 anos de Aron Dresch, a gente voltou a ter uma disputa verdadeira aqui na Federação. Todo mundo falou de futebol, discutiu futebol e projetos para o futebol”.
“Espero que essa semente plantada germine e possa vir em benefício dos clubes. Porque eu vejo futebol forte com clubes fortes. Agora, com relação a ganhar ou perder, é do jogo”, disse.
Questionado sobre o poder da “máquina” na eleição, Dorileo explicou que era só observar a chapa que enfrentou a sua. “Os componentes da chapa, a gente vai saber se a máquina estava de qual lado. Aliás, até a campanha do nosso adversário foi em cima disso, a candidatura da CBF. Nossa candidatura surgiu lá atrás, em maio, quando nós derrotamos e tiramos daqui o Aron. Depois criaram uma terceira via e é do jogo. Perder ou ganhar faz parte da democracia. Eu estou muito tranquilo em relação a isso”.
Sobre a expectativa de votos, Dorileo admitiu ter ficado surpreso com o resultado. “A gente tinha uma expectativa de ter uma votação maior. Acabamos perdendo a eleição por sete votos. Se tivéssemos 29 precisaríamos só de mais sete para empatar o jogo e levar a vitória”.
Questionado sobre sentir-se traído, descartou qualquer ressentimento. “Não, jamais. Eu não usaria um termo muito pesado. Prefiro dizer que os clubes, na sua maioria, preferiram escolher o nosso adversário. Democraticamente, ele foi eleito”.
Apesar da derrota, Dorileo mantém a postura de respeito e otimismo. “Considero que o futebol foi o grande vencedor hoje. Porque se não fosse a nossa entrada no processo, não estaríamos aqui falando da eleição”.
Resultado
O advogado Diogo Amorim Pécora, da chapa “Unidos pelo Avanço do Futebol Matogrossense”, acabou vencendo a disputa contra João Dorileo Leal, da chapa “Federação para Todos”, por 43 votos a 29, em votação realizada na manhã desta terça-feira (02), na sede da entidade.


















