O Conselho Tutelar do Paraguai acolheu a criança que ficou no centro de um caso envolvendo violência extrema na fronteira entre Brasil e Paraguai. O menino foi resgatado após a morte da mãe, Gleici Fátima Machado Ritter, e do pai, Matheus Gonçalves dos Santos, 33 anos, apontado como autor do feminicídio e morto posteriormente em confronto com forças de segurança paraguaias na tarde de quarta-feira (24).
De acordo com a Polícia Civil, após assassinar a companheira, Matheus fugiu levando o filho em direção à região de fronteira. A localização do suspeito foi possível a partir de um trabalho investigativo da Delegacia de Guarantã do Norte, que acionou forças policiais de Mato Grosso do Sul e autoridades do Paraguai para auxiliar nas buscas.
O homem acabou sendo localizado durante uma barreira policial no país vizinho. Conforme as autoridades paraguaias, ele estava armado com duas armas de fogo e teria reagido à abordagem, o que resultou em uma troca de tiros. Matheus foi baleado e morreu ainda no local. A criança foi retirada em segurança e encaminhada ao Conselho Tutelar de Sete Quedas, onde permanece sob proteção, enquanto são providenciados os trâmites para o retorno a Mato Grosso.
Em meio ao caso, a irmã de Gleici relatou em entrevista que a família já tinha percepção de que o relacionamento era conturbado desde o início. Segundo ela, os problemas teriam se agravado após a mudança da vítima para Sinop. “A gente já via que não era um relacionamento bom. Quando ela foi morar em Sinop, tudo piorou”, disse. Ela também afirmou que a família fez diversas tentativas de intervenção e apoio à vítima ao longo do tempo.
Gleici foi encontrada morta na manhã de terça-feira (23), dentro da casa onde vivia com o companheiro, no bairro Jardim das Palmeiras, em Guarantã do Norte. Familiares acionaram a polícia após ela faltar a uma sessão de hemodiálise, tratamento que realizava de forma contínua, o que gerou preocupação imediata.
Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram a vítima já sem sinais vitais. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou, de forma preliminar, que a morte pode ter ocorrido cerca de dois dias antes da localização do corpo. As investigações indicam que ela foi atingida por um disparo de espingarda.
O caso também revelou um histórico anterior de violência doméstica. Registros apontam ocorrências envolvendo agressões, ameaças e posse irregular de arma de fogo desde 2023. Em 2025, o suspeito chegou a ser preso em flagrante, e a vítima obteve medidas protetivas, posteriormente retiradas por ela própria.
A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer completamente a dinâmica do crime e os desdobramentos do caso.


















