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Júlio minimiza queixa da AL e diz que evento da ferrovia foi comandado por Brasília

Segundo ele, a ausência de representantes do Legislativo estadual entre os oradores não deve ser tratada como afronta institucional
DEPUTADO JÚLIO CAMPOS | FOTO: GILBERTO LEITE DE OLIVEIRA/ALMT

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O deputado estadual Júlio Campos (União) minimizou a insatisfação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) com o cerimonial da inauguração do primeiro trecho da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, realizada no último sábado (20). Segundo ele, o evento teve forte influência do Governo Federal e, por isso, a ausência de representantes do Legislativo estadual entre os oradores não deve ser tratada como afronta institucional.

A solenidade contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), além de autoridades estaduais e federais. A condução do protocolo, porém, gerou desconforto entre deputados estaduais, especialmente no presidente da Assembleia, Max Russi (Podemos), que reclamou da exclusão do Parlamento da lista de discursos.

Para Júlio Campos, a configuração do evento refletiu mais os interesses do Governo Federal do que do Estado de Mato Grosso.

“Porque a festa foi mais do PT, do governo federal, do que do Estado de Mato Grosso. Quem comandou foi Brasília, então não há por que reclamar”, afirmou.

O parlamentar observou que nem mesmo algumas autoridades estaduais estavam inicialmente previstas no protocolo oficial. Segundo ele, houve adequações de última hora para incluir lideranças políticas durante a solenidade.

“Pelo cerimonial não constava, mas foi chamado o ex-governador Pedro Taques junto com o ex-governador Mauro Mendes. Na oportunidade, lembrando que eu também fui governador, me chamaram para compor. Tudo isso não estava previsto”, disse.

Financiamento federal influenciou protocolo

Na avaliação de Júlio, o protagonismo do Governo Federal no evento se explica pela participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento da obra.

“Veja bem, o cerimonial foi da Presidência da República. É uma obra da iniciativa privada, mas com financiamento do Governo Federal, por meio do BNDES, que foi o grande financiador”, argumentou.

Ele destacou ainda que apenas um representante da bancada federal teve espaço para discursar, sendo escolhido o senador Carlos Fávaro (PSD), ministro da Agricultura e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Somente um representante da bancada federal falou, e o escolhido foi o senador Fávaro, que é o mais próximo do Governo Federal”, afirmou.

Mérito da Assembleia permanece

Apesar de reconhecer o desconforto gerado pelo protocolo, Júlio Campos avaliou que o episódio não diminui a importância da Assembleia Legislativa na viabilização do projeto ferroviário.

Segundo ele, o Parlamento estadual teve papel decisivo ao aprovar a legislação que permitiu a criação da primeira concessão ferroviária estadual do país.

“São pequenas coisas que não vêm diminuir o mérito da Assembleia Legislativa, que aprovou a lei criando a Ferrovia Estadual Vicente Emílio Vuolo. Então não vejo nada demais”, declarou.

O deputado também elogiou o tratamento dispensado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin às autoridades presentes.

“O presidente Alckmin foi muito simpático conosco, nos tratou com muita fidalguia, sem política. Mas há de se entender que todo PT, toda esquerda estava lá presente”, completou.

Max vê desrespeito institucional

A avaliação de Júlio diverge da posição adotada pelo presidente da Assembleia. Max Russi afirmou que a exclusão dos deputados dos discursos representou um desrespeito ao Legislativo estadual, responsável por aprovar mudanças constitucionais consideradas fundamentais para a implantação da ferrovia.

“Nós fomos os responsáveis por aprovar a Emenda Constitucional 93 de 2020, que deu condição de sair a primeira concessão ferroviária estadual do Brasil”, afirmou.

Segundo Russi, a decisão de não conceder espaço à Assembleia foi um erro político que acabou atingindo toda a instituição.

“Eu não diria que boicotou o deputado Max, mas boicotou toda uma instituição. Infelizmente, pensou-se pequeno naquele evento”, criticou.

O episódio expôs um desconforto entre lideranças estaduais e o cerimonial do Governo Federal em um dos principais eventos de infraestrutura realizados em Mato Grosso neste ano.

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