A Polícia Civil de Mato Grosso investiga um esquema que usava empresas de fachada para aplicar fraudes eletrônicas em consumidores de vários estados. Segundo as apurações, o principal alvo se apresentava no Instagram como contador digital, com atuação em dropshipping e no mercado de iGaming, e usava o conhecimento técnico para abrir centenas de CNPJs e dar aparência de legalidade às operações criminosas.
Para montar a engrenagem, o contador registrava CNPJs em nome de laranjas, em geral jovens de baixa renda que moravam fora de Mato Grosso. Essas inscrições eram utilizadas para criar sites de e-commerce falsos em segmentos variados, como brinquedos, vestuário e itens masculinos. Em um dos episódios, o grupo clonou a página de uma marca conhecida de cosméticos para atrair compradores.
Os sites recebiam tráfego por meio de anúncios patrocinados nas plataformas digitais. As vítimas concluíam as compras, pagavam por Pix ou cartão, e não recebiam as mercadorias. Os endereços virtuais acumulavam reclamações em serviços de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui, até serem tirados do ar ou substituídos por novas páginas.
De acordo com a investigação, o grupo atuava de forma estável e organizada. As empresas de fachada serviam para lavar milhões de reais arrecadados com as fraudes. O principal investigado responde por associação criminosa, estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e crimes contra as relações de consumo.
A ofensiva integra a Operação Domínio Fantasma, deflagrada nesta terça-feira, 11, para cumprir 33 ordens judiciais nas cidades de Cuiabá e Sorriso. Entre as medidas, constam prisão preventiva do apontado mentor, sete buscas e apreensões, duas cautelares diversas de prisão, bloqueio de R$ 5 milhões, sequestro de dois imóveis e cinco veículos de luxo. Também foram determinadas quebras de dados telemáticos, suspensão de perfis em redes sociais, derrubada de três sites e interrupção de atividades econômicas ligadas ao esquema.
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos, com apoio das unidades especializadas de combate à corrupção, crimes fazendários e defesa do consumidor, além da Delegacia de Sorriso e da Core. A operação conta ainda com suporte da Politec e da Sefaz, sob coordenação da Cecor da Polícia Civil.

















