O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, na sexta-feira (13), estender por mais 140 dias a investigação contra o juiz Wladymir Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O magistrado é acusado de cometer irregularidades na condução do inquérito que apura a morte do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá.
O procedimento contra o juiz tramita em sigilo desde dezembro de 2025. Entre as suspeitas apuradas estão a apreensão do celular da vítima, sem permitir que as partes tivessem acesso ao conteúdo, além da abertura de envelopes lacrados sem comunicar ou dar ciência à defesa.
A relatora do processo, conselheira Daniela Madeira, solicitou a prorrogação do prazo alegando necessidade de reunir mais provas e concluir a instrução do procedimento. O pedido foi acatado de forma unânime pelos membros do CNJ.
“O Conselho, por unanimidade, prorrogou o prazo para a conclusão da instrução por mais 140 (cento e quarenta) dias, a contar de 30 de abril de 2025, nos termos do voto da relatora”, diz trecho da decisão publicada.
Por se tratar de processo disciplinar, o CNJ não divulga detalhes do andamento, nem das diligências que estão sendo realizadas.
O caso Zampieri
O advogado Roberto Zampieri foi morto a tiros no dia 5 de dezembro de 2023, quando saía do próprio escritório, localizado em Cuiabá. O crime teve grande repercussão no meio jurídico e empresarial, e até hoje é tratado como execução.
As investigações apontam que Zampieri foi surpreendido por um homem armado, que se aproximou e efetuou diversos disparos. Ele morreu no local antes da chegada do socorro.
Desde o início, o caso levantou suspeitas sobre possíveis motivações relacionadas a disputas empresariais e judiciais nas quais o advogado atuava. A investigação criminal segue em andamento na Polícia Civil.
Paralelamente, a conduta do juiz Wladymir Perri, responsável por decisões dentro do inquérito, passou a ser questionada, levando à abertura do procedimento disciplinar no CNJ.
Até o momento, o magistrado segue no cargo, enquanto o Conselho Nacional de Justiça analisa se houve quebra de dever funcional ou qualquer tipo de desvio de conduta.




















