A Câmara Municipal de Cuiabá deu início, nesta terça-feira (3), ao pedido de instauração de comissão processante contra o vereador Chico 2000 (PL), afastado do cargo por decisão judicial. A leitura do requerimento foi feita pela primeira-secretária da Casa, vereadora Katisucia Mantelli (PSB), marcando o início oficial do trâmite interno sobre a possível quebra de decoro parlamentar.
O pedido foi protocolado no dia 27 de janeiro pelo ex-juiz federal Julier Sebastião (PT) e tem como base os desdobramentos da Operação Gorjeta, que apura um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares. Chico 2000 também é citado em outras investigações, como as operações Perfídia e Rescaldo.
Apesar da leitura em plenário, a Mesa Diretora limitou-se a cumprir a etapa de publicidade do documento. Não houve abertura de espaço para manifestações dos vereadores nem votação sobre a admissibilidade do pedido, tampouco o sorteio dos integrantes da comissão processante, conforme previsto no requerimento.
No documento apresentado, Julier solicita que, após o recebimento pela presidência da Câmara, a representação seja submetida ao plenário. Caso aprovada, o texto prevê que o sorteio dos membros da comissão seja público e que os designados conduzam os atos de acusação, com o apoio de assistente legal.
O pedido ganhou contornos políticos nos bastidores. A iniciativa é interpretada por parlamentares como um movimento articulado pela ex-vereadora Edna Sampaio (PT), a quem Julier representa juridicamente. Edna teve o mandato cassado em dois processos conduzidos enquanto Chico 2000 presidia a Câmara.
Em manifestação nas redes sociais, a ex-vereadora associou sua cassação ao avanço das investigações da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), que identificaram, segundo ela, um esquema criminoso no Legislativo cuiabano. “Está revelada a causa pela qual eu fui cassada duas vezes. A minha presença na Câmara era um risco para as práticas delituosas dos vereadores”, declarou.
De acordo com o inquérito da Deccor, entre os anos de 2022 e 2025, Chico 2000 teria destinado cerca de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Brasil Central (Ibrace). Os recursos seriam utilizados em eventos institucionais, como a “Corrida do Legislativo”, mas a investigação aponta que parte do montante teria retornado ao próprio vereador.
A leitura do pedido inaugura oficialmente o debate sobre o caso na Câmara, mas a decisão sobre a abertura da comissão processante permanece pendente.

















