O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) voltou a subir o tom contra o senador Wellington Fagundes (PL) nessa terça-feira (30/6) e afirmou que não teme o acirramento da disputa política de olho nas eleições de 2026. Segundo ele, as críticas ao parlamentar dizem respeito exclusivamente à sua atuação pública e garantiu que continuará respondendo aos ataques “à altura”, mas sem “baixar o nível” do debate.
As declarações foram dadas dias após a troca de provocações entre os dois migrar das entrevistas para as redes sociais. Durante conversa com a imprensa, Pivetta afirmou que não acompanha as manifestações do senador e minimizou um comentário feito por Wellington em uma publicação no Instagram.
“Eu não vi. Eu não sou pautado pelos comentários desse senhor. Ele não me interessa nada. Nada do que ele fala me interessa”, afirmou.
Questionado se o tom adotado nas críticas não estaria contribuindo para um ambiente político mais agressivo, o governador negou e disse que suas declarações tratam apenas da vida pública do adversário.
“Quero crer que fui incisivo naquilo que falo, mas pessoalmente eu não falei nada sobre ele. Tem um livro que fala sobre ele, vocês que são da imprensa pesquisem”, disse, ao voltar a mencionar a obra citada anteriormente para justificar a referência à “história cabulosa” de Wellington.
Sobre a possibilidade de a disputa eleitoral intensificar os ataques entre os pré-candidatos ao Governo do Estado, Pivetta afirmou que não se intimida.
“Não tenho medo de absolutamente nada. Sou um homem livre”, declarou, acrescentando que considera natural o aumento da tensão durante o período pré-eleitoral.
O governador também confirmou que pretende rebater as críticas feitas pelo senador, mas afirmou que a discussão deverá permanecer no campo da gestão pública e da trajetória política de cada um.
“Vamos reagir à altura, mas não baixar o nível, absolutamente. Vamos discutir o comportamento, vamos discutir o histórico. O que cada candidato fez nas suas respectivas vidas em prol da população”, afirmou.
Na entrevista, Pivetta ainda voltou a alfinetar a experiência administrativa de Wellington. Sem mencionar diretamente o senador, disse que qualquer pessoa pode ingressar na administração pública em diferentes momentos da vida, mas ponderou que “não acredita que a terceira idade seja o momento de iniciar isso”. Em seguida, acrescentou que há outros aspectos da trajetória política do adversário que considera “bem piores”.
O governador também negou qualquer afastamento do secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, que é primeiro suplente de Wellington no Senado. Segundo Pivetta, Carvalho permanece alinhado ao grupo político do governo e afirmou que quem alterou sua posição política foi o próprio senador.
Troca de farpas
A escalada das críticas começou após Wellington Fagundes questionar o projeto do Governo de Mato Grosso de contratar um empréstimo de R$ 1,5 bilhão junto à Caixa Econômica Federal para compensar a perda de arrecadação com o fim do Fethab 2 e manter investimentos, entre eles o programa SER Família Habitação.
Em resposta, Pivetta afirmou que Wellington “não entende de gestão”, classificou o senador como “desprezível” e disse que ele possui uma “história cabulosa”. Posteriormente, publicou em seu perfil no Instagram um vídeo com o trecho da entrevista em tom de deboche, utilizando efeitos visuais e encerrando a postagem com a provocação: “Será que deu pra aprender?”.
Wellington respondeu na própria publicação e criticou a postura do governador.
“Moradia digna é coisa séria. Não dá para brincar nem ironizar, governador. Que papelão!”, escreveu.
O episódio amplia o clima de confronto entre dois dos principais nomes cotados para disputar o Palácio Paiaguás nas eleições de 2026.


















