O presidente da CPI que investiga contratos e possíveis irregularidades na Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), deputado estadual Wilson Santos (PSD), afirmou ter recebido uma denúncia anônima envolvendo um servidor da área de Tecnologia da Informação da pasta que morreu em março deste ano, período em que também foi registrado um ataque cibernético contra os sistemas da secretaria.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (3), durante entrevista à TV Vila Real. Segundo o parlamentar, a informação chegou à comissão por meio de documentos e relatos encaminhados de forma anônima, mas ainda depende de confirmação e aprofundamento das investigações.
“Não tenho a causa da morte, mas têm chegado muitas informações e documentos à CPI de forma anônima. Uma das informações foi que esse responsável pela TI teria morrido nesse mesmo período, próximo de março. A secretaria ainda dificulta muito, o coro está grosso. Mas vamos conseguir”, afirmou.
Wilson ressaltou que, até o momento, não há elementos que estabeleçam relação entre a morte do servidor e a invasão aos sistemas da SES. Ainda assim, ele defendeu a ampliação das diligências da CPI e afirmou que os fatos sob análise podem revelar um cenário mais complexo do que o inicialmente conhecido.
“As informações são piores do que se imagina”, declarou.
O deputado informou que a comissão pretende aprovar novos requerimentos nos próximos dias, incluindo pedidos de perícia em dados relacionados ao ataque hacker. A intenção também é ampliar o número de oitivas com servidores, empresários e ex-gestores ligados à área da saúde estadual.
“Centenas de milhões foram desviados na secretaria enquanto a população corria desesperada para salvar entes queridos. A CPI vai trabalhar. Iremos ouvir hoje os dois delegados que realizaram a Operação Espelho. Vamos aprovar requerimentos e convocar empresários. Queremos ainda ouvir o atual e o ex-secretário da pasta. Não iremos parar nem nos intimidar com as pedras no caminho”, disse.
O caso ganhou repercussão após a Secretaria de Estado de Saúde confirmar que foi alvo de um ataque cibernético em março deste ano. De acordo com a pasta, os invasores chegaram a exigir pagamento para devolver dados supostamente sequestrados.
Em nota, a SES informou que os arquivos afetados representavam menos de um terabyte do total armazenado pela instituição e que todas as informações foram recuperadas por meio dos sistemas de segurança e contingência. A secretaria também garantiu que a base principal de dados não foi comprometida e que os serviços prestados à população continuaram funcionando normalmente.
A ocorrência foi comunicada à Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A pasta também afirmou que não realizou qualquer pagamento aos responsáveis pelo ataque e que segue colaborando com as investigações.


















