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Decisão do STF sobre Várzea Grande pode alterar eleição da Câmara de Cuiabá e beneficiar projeto de Paula

inistro Dias Toffoli anulou a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande que havia reconduzido o vereador Wanderley

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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou a eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande passou a repercutir nos bastidores do Legislativo de Cuiabá e abriu espaço para uma nova leitura sobre a sucessão interna da Casa. Vereadores avaliam que, caso o mesmo entendimento seja aplicado à Capital, o calendário eleitoral poderá ser alterado, mudando a dinâmica da disputa pelo comando da Câmara e, por consequência, ampliando o espaço político para a atual presidente, Paula Calil (PL), que articula sua permanência no cargo.

Na última semana, o ministro Dias Toffoli anulou a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande que havia reconduzido o vereador Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência do Legislativo municipal. A decisão foi proferida em reclamação constitucional e seguiu entendimento já consolidado pelo STF sobre a necessidade de observância de critérios temporais para eleições antecipadas das mesas diretoras.

Segundo o ministro, o pleito realizado em maio contrariou precedentes da Corte ao desrespeitar os princípios da contemporaneidade e da razoabilidade. Pelo entendimento adotado pelo Supremo, eleições para composição das mesas devem observar, como marco mínimo, o mês de outubro que antecede o início do respectivo biênio.

A interpretação acendeu sinal de alerta em Cuiabá. Atualmente, a eleição da Mesa Diretora está prevista para agosto, mas, nos bastidores, parlamentares já discutem a possibilidade de eventual judicialização empurrar o processo para outubro, período posterior às eleições estaduais.

A mudança de calendário é vista por interlocutores como um fator capaz de alterar completamente o tabuleiro político interno da Câmara. Isso porque o adiamento coincidiria com o encerramento da disputa eleitoral e poderia influenciar diretamente o posicionamento de vereadores que pretendem concorrer a vagas na Assembleia Legislativa.

Nesse contexto, parlamentares que não obtiverem êxito nas urnas poderiam rever alianças construídas durante o período eleitoral e retomar aproximação com o grupo político do prefeito Abilio Brunini (PL), fortalecendo o bloco ligado a Paula.

A presidente da Câmara trabalha nos bastidores por uma alteração no regimento interno para viabilizar sua candidatura à reeleição e depende da construção de maioria qualificada para avançar com o projeto. A conta política gira em torno da obtenção de 18 votos.

Outra avaliação que circula entre vereadores é que, após o processo eleitoral, candidatos derrotados à Assembleia deixariam de ter a mesma dependência política de eventuais articulações conduzidas pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), em um cenário de sucessão dentro do Legislativo estadual, o que também poderia impactar o alinhamento interno na Câmara de Cuiabá.

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