Um jovem de 22 anos denunciou ter sido vítima de tortura e violência sexual praticadas por policiais militares da Força Tática durante uma abordagem realizada na noite de sexta-feira (22), no município de Denise. O caso veio à tona após exames periciais apontarem lesões compatíveis com o relato da vítima.
De acordo com o boletim registrado pela Polícia Militar, a equipe recebeu informações da inteligência sobre um suposto ponto de tráfico de drogas na Rua Jasmim. A denúncia indicava ainda possível ligação da residência com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.
Os policiais afirmaram que encontraram o suspeito em frente ao imóvel e que ele teria tentado fugir ao perceber a chegada da equipe. Conforme a versão da PM, durante a abordagem foram apreendidos três pinos de cocaína, cinco porções de maconha e dinheiro em espécie.
Ainda segundo os militares, o jovem resistiu à prisão, sendo necessário o uso moderado da força e algemas. O boletim relata que as escoriações apresentadas pelo suspeito teriam ocorrido em razão da própria resistência.
“Conforme a denúncia, o suspeito seria responsável pela coordenação da distribuição das drogas no município. As equipes se deslocaram até o endereço informado, com apoio da equipe de Denise, e localizaram o homem em frente à residência. Ao perceber a aproximação policial, o suspeito tentou fugir, mas foi abordado. Durante a busca pessoal, os militares encontraram três pinos contendo substância análoga à cocaína, cinco porções de substância análoga à maconha e R$ 10 em dinheiro”, detalhou a corporação.
No entanto, durante interrogatório na Delegacia de Barra do Bugres, o jovem apresentou uma versão diferente. Ele afirmou ao delegado Fernando Filiu Albuquerque Marques que foi levado para um quarto da residência, onde passou a sofrer agressões físicas, socos na região do rosto e abdômen, além de violência sexual.
Segundo o depoimento, os policiais teriam introduzido um cabo de vassoura em seu ânus enquanto ele estava algemado.
A vítima foi encaminhada ao Instituto Médico Legal para exames de corpo de delito. O laudo pericial apontou lesões no antebraço, punhos, abdômen e glúteos, além de edema e fissura anal, com presença de pequenos fragmentos compatíveis com madeira.
“Foram observados no exame presença de fragmentos que podem ser compatíveis com fragmentos de madeira. A presença de fissura ou ragade anal associada a edema pode ser compatível com lesão causada por introdução de objeto, dedo ou algo semelhante em região anal. De acordo com o histórico relatado pelo periciado, o objeto ‘cabo de vassoura pode ser compatível com os achados. As demais lesões encontradas são recentes e foram causadas também por instrumento contundente”, diz um trecho do laudo
O documento pericial concluiu que o objeto descrito pela vítima “pode ser compatível com os achados encontrados”, além de confirmar que as demais lesões foram produzidas por instrumento contundente.
O jovem admitiu que possuía drogas, mas alegou ser usuário e negou envolvimento com tráfico. Mesmo assim, foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e resistência, sendo posteriormente encaminhado à cadeia pública local.
Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso informou que ainda não havia recebido oficialmente a denúncia, mas afirmou que irá instaurar procedimento administrativo para apurar o caso. A corporação destacou que não compactua com abuso de autoridade ou crimes praticados por integrantes da instituição.
A Polícia Civil investiga as denúncias de tortura e violência sexual atribuídas aos policiais militares.
Por meio de nota, A Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT) disse que ainda não recebeu nenhuma denúncia, mas que irá instaurar um procedimento administrativo para investigar o caso com o máximo rigor.
“A PMMT reforça que não coaduna com abuso de autoridade e nenhum tipo de crime cometido por parte de seus integrantes”, completou a corporação.

















