Um grupo de estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) denunciou ter sido ameaçado dentro do campus de Cuiabá após a repercussão do caso envolvendo uma suposta “lista de meninas estupráveis”, atribuída a alunos da instituição.
Segundo relatos feitos à polícia, o homem apontado como autor das ameaças seria pai de um dos estudantes investigados no caso. Conforme os universitários, ele teria abordado alunos do curso de Engenharia nos corredores da universidade, após manifestações e denúncias relacionadas à circulação da lista em grupos de mensagens.
Em um áudio que passou a circular entre estudantes, um dos jovens afirma que foi intimidado pelo suspeito após sair da sala de aula. No relato, o universitário conta que o homem o responsabilizou pelas consequências enfrentadas pelo filho e teria feito ameaças veladas.
De acordo com o estudante, o suspeito afirmou frases como: “Se meu filho não terminar a faculdade, você também não vai”, além de mencionar que poderia “matar” o jovem sem que isso mudasse sua vida. O universitário também relatou ter percebido um volume na cintura do homem e acreditado que ele pudesse estar armado.
Ainda conforme o áudio, o homem teria chorado durante a conversa e dito que o filho estaria sendo prejudicado pelas denúncias. O estudante afirmou que tentou manter a calma por receio de uma possível reação violenta.
Imagens de câmeras de segurança da UFMT mostram o suspeito caminhando pelos corredores do campus usando boné preto, mochila e um objeto preso à cintura. Segundo os alunos, pelo menos outros dois estudantes também teriam sido ameaçados.
Após o episódio, os universitários procuraram a Polícia Civil acompanhados de advogado para registrar boletim de ocorrência e solicitar investigação do caso.
O episódio ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas a estudantes da UFMT, nas quais mulheres eram classificadas com termos ofensivos e conteúdo relacionado à violência sexual. A situação provocou protestos de estudantes e mobilizações dentro da universidade.
Na semana passada, um aluno do curso de Direito foi afastado das atividades acadêmicas após ser apontado como envolvido na criação da lista. O Ministério Público de Mato Grosso instaurou procedimento para apurar possíveis crimes e determinou que a UFMT informe quais medidas internas estão sendo adotadas.
Segundo a universidade, representantes da instituição acompanharam os estudantes até a delegacia após as denúncias de ameaça. O suspeito já foi identificado e deverá prestar depoimento à Polícia Civil.
















