O empresário Eraí Maggi Scheffer defendeu, durante entrevista nesta quarta-feira (29) a criação de um corredor logístico entre Mato Grosso e Santa Cruz, na Bolívia, como estratégia para impulsionar o agronegócio e ampliar o comércio internacional. A proposta foi apresentada durante encontro com o governador eleito da região boliviana, Juan Pablo Velasco, na Assembleia Legislativa em Cuiabá.
Segundo Eraí, a integração depende de uma ligação asfáltica de cerca de 100 quilômetros do lado boliviano. “Nós não temos acesso. São cerca de 100 km de asfalto do lado da Bolívia que precisam ser feitos para conectar tudo”, afirmou.
Ele destacou que a proximidade com a Bolívia pode garantir acesso facilitado a insumos agrícolas e gerar novos negócios. “Ali tem ureia, potássio, fósforo, boro… tudo que a agricultura precisa. Nós estamos do lado dessa riqueza e precisamos buscar isso”, disse.
O empresário também ressaltou que a conexão pode transformar a economia regional. “O Mato Grosso vai ficar dois Mato Grossos. Vai ficar mais forte economicamente com essa integração”, declarou.
Durante a fala, Eraí enfatizou que o fortalecimento da economia boliviana pode reduzir problemas históricos na fronteira. “Se levarmos riqueza para lá, eles vão produzir, vão ter renda e não vão precisar mexer com coisa errada. Isso diminui os problemas de fronteira”, afirmou.
Ele ainda citou o potencial de crescimento em outras áreas, como turismo e educação. “Tem uma riqueza cultural enorme ali do lado, igrejas históricas, turismo acessível. É uma oportunidade que está sendo desperdiçada”, pontuou.
Ao comentar a proposta de congelamento do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), defendida pelo vice-governador Otaviano Pivetta, Eraí avaliou a medida como positiva diante do cenário atual do agronegócio. “O agro está numa situação difícil. Isso dá um fôlego, mesmo que seja simbólico”, disse.
Ele acrescentou que o setor produtivo precisa de apoio diante da queda nos preços das commodities. “Cada um tem que apertar um pouco para o produtor não parar. É um momento complicado”, afirmou.
Sobre o problema de armazenagem no estado, o empresário foi direto ao atribuir a responsabilidade à iniciativa privada. “Quem tem que fazer armazém é o empresário. O Estado tem que cuidar de saúde, segurança, não de silo”, declarou.
Eraí também minimizou a crise no setor. “Tem armazém, tem caminhão. Se fizer mais, melhor, mas isso não é função do governo”, completou.
Por fim, ele reforçou que a integração com a Bolívia depende de mobilização conjunta. “Precisamos dos empresários, dos deputados, de todo mundo empenhado. Essa conexão é muito boa para o Mato Grosso e para o futuro das próximas gerações”, concluiu.



















