Mesmo com uma proposta rival R$ 18 milhões superior, o governador Mauro Mendes (União) afirmou nesta sexta-feira (20) que o governo de Mato Grosso não irá aumentar a oferta de R$ 30 milhões pela compra do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. O Estado permanece firme no valor apresentado, enquanto o Instituto Evangelístico São Marcos elevou seu lance para R$ 48 milhões.
“Eu não vou aumentar a proposta. Não vale mais do que isso. Nossa proposta é firme, é verdadeira. E não vão entrar em leilão. Nós subimos um pouco pelo interesse que tem”.
“[Caso não seja viável] Vamos construir alternativas, e sempre tem alternativas. A única coisa que não tem alternativa na vida é a morte. Mesmo assim, ainda tem duas alternativas, ou enterrar ou cremar. É a última oferta que eu vou fazer como governador”, completou.
A disputa pela compra do imóvel ganhou novos capítulos nesta semana. A Justiça do Trabalho deu prazo de cinco dias para a Comissão de Credores se manifestar sobre as propostas de compra do imóvel. A decisão foi proferida na quinta-feira (19) pela juíza Eliane Xavier, da Coordenadoria de Apoio à Efetividade da Execução (Caex) do TRT de Mato Grosso.
O despacho foi publicado um dia após o Governo do Estado aceitar a contraproposta apresentada pelos trabalhadores e elevar de R$ 25 milhões para R$ 30 milhões o valor oferecido para a aquisição do prédio.
Além da proposta estadual, a Justiça do Trabalho recebeu na quarta-feira (18) a atualização da oferta do Instituto Evangelístico São Marcos, que aumentou o valor de R$ 40 milhões para R$ 48 milhões. A nova proposta prevê carência de seis meses para o início dos pagamentos, seguida de parcelas mensais fixas de R$ 500 mil. Na versão anterior, a carência era de 12 meses.
Magistrada avalia propostas positivamente
Ao comentar o andamento do caso, a juíza Eliane Xavier destacou a expectativa de quitação integral dos créditos trabalhistas.
“A dívida está em torno de R$ 48 milhões e a nossa perspectiva é de realmente pagar todos os créditos”, afirmou.
Ela também ressaltou a existência de mecanismos que possibilitam reduzir o tempo de quitação dos valores.
“Temos normas aqui que favorecem aqueles que optam pelo deságio de 30% e acreditamos que vamos conseguir sim pagar a todos, inclusive porque cabe lembrar que esse prédio da Santa Casa é o único bem que pode ser utilizado para o pagamento dessas verbas trabalhistas.”
A magistrada avaliou de forma positiva o surgimento de diferentes propostas e lembrou que se trata de um processo antigo.
“Esperamos que de fato seja concluído, e o papel da Justiça do Trabalho é justamente fazer o pagamento dessas verbas trabalhistas”, disse.
Próximos passos
O processo piloto de execução, que trata do pagamento das verbas trabalhistas dos ex-empregados da Santa Casa de Cuiabá, reúne aproximadamente 800 ações. Após a manifestação da comissão de credores, caberá à magistrada analisar as manifestações e deliberar sobre os próximos encaminhamentos do procedimento de venda do imóvel.



















