O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (PSB), atribuiu à falta de habilidade política e experiência da deputada Edna Sampaio (PT) o fracasso na tentativa de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Feminicídio na Casa. A proposta perdeu força após seis deputados retirarem suas assinaturas, deixando o pedido abaixo do mínimo necessário, que são oito.
Para ele, a deputada cometeu erros estratégicos ao buscar diálogo com o Governo do Estado no momento em que tentava viabilizar uma comissão que, em tese, investigaria falhas nas políticas públicas estaduais.
“Se eu proponho uma CPI, eu não vou me reunir com o governo. Você tem que fazer o enfrentamento. Faltou habilidade e experiência para ela. CPI é um instrumento sério e precisa ser articulado com firmeza”, pontuou Max.
Ainda segundo Max, faltou consistência jurídica no requerimento apresentado. Ele revelou que o documento foi encaminhado à Procuradoria da Assembleia, que apontou falhas formais e limites de competência.
“Nós não temos poder de investigação sobre o governo federal. A CPI precisa focar nas medidas estaduais. Isso poderia ser ajustado, claro. Se as assinaturas forem reapresentadas com embasamento jurídico adequado, eu não terei dificuldade nenhuma em abrir a CPI”, completou.
Apesar das especulações sobre interferência do governo estadual para desmobilizar o movimento, Max afirmou que não participou de nenhuma articulação e reforçou que a presidência da Assembleia só pode agir com base no regimento.
“Se houve acordo, entendimento, não fui convidado para essa conversa. Como presidente, estou amarrado ao regimento. Não posso abrir uma CPI sem as assinaturas necessárias”, disse.
O deputado ainda destacou que o debate sobre o feminicídio deve continuar independente da forma.
“Essa não é uma pauta contra o governo, é uma pauta em defesa das mulheres. E o parlamento está comprometido com isso, seja por meio de CPI, grupo de trabalho ou outro mecanismo. O importante é não silenciar diante dessa realidade alarmante em nosso estado […] o feminicídio é um problema grave e que precisa da atenção de todos nós. A CPI é um dos caminhos, mas não o único. Vamos continuar tratando esse tema com a seriedade que merece”, afirmou.
















