O adiamento da votação do pedido de afastamento do vereador tenente-coronel Marcos Paccola (Republicanos) frustrou amigos e familiares do agente socioeducativo Alexandre Miyagawa, que foram até a Câmara nesta quinta-feira (14) para acompanhar a sessão e pedir justiça. Após a aprovação do requerimento do vereador sargento Vidal, a votação do pedido ficou para agosto, após o recesso, e a emissão de parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Câmara que vai analisar se existe embasamento legal para o afastamento.
Antes do início da sessão, familiares e amigos de Alexandre Miyagawa fizeram um ato em frente à Câmara. A prima de Alexandre, Celina Kyo, em conversa com a imprensa, questionou como a segurança pública pode ter um servidor como Marcos Paccola. Ela disse que o agente era uma pessoa bondosa, extremamente carinhosa e sua morte revolta, porque não teve um motivo que justificasse o ato do vereador.
“A família só quer justiça, só isso. E espero que a justiça seja feita. Pra nós tem sido muito difícil, a gente dorme e acorda todos os dias com este sentimento. A gente quer justiça, porque Cuiabá não merece ser representada por uma pessoa violenta, porque isso não é o espírito cuiabano. Os cuiabanos são pessoas de paz, então a família quer justiça”, disse a prima do agente socioeducativo assassinado.
Paccola matou a tiros na noite de 1ª de julho, uma sexta-feira, o agente socioeducativo Alexandre Miyagawa de Barros, próximo ao Choppão, porque ele estaria ameaçando a namorada com uma arma e também colocando em risco a vida de terceiros. Alegando legítima defesa, Paccola desferiu três tiros em Alexandre, pelas costas, conforme mostraram imagens de uma câmera de segurança. A namorada do agente, Janaína Sá, contestou a versão de Paccola, e disse que ele já chegou atirando e que não pediu para que Alexandre baixasse a arma, como o vereador alegou.
Sindicato
Colegas que trabalhavam com Alexandre também participaram do ato de protesto, portando faixas, cobrando justiça. O presidente do Sindicato da Carreira dos Profissionais do Sistema Socioeducativo do Estado de Mato Grosso (Sindpss), Paulo Cesar de Souza, disse que compareceu ao ato para pedir justiça. Ele lembrou que Alexandre era uma pessoa muito pacífica, ordeira e “profissional ao extremo”.
“Estou aqui por justiça, por sentir a dor que a família está sentindo nesse momento. Todas as entidades, a Câmara, a Polícia Civil, que se faça justiça. Não estamos aqui para explicar mais nada, infelizmente tem que aguardar”, disse, se referindo as investigações policiais que estão em andamento.
Por orientação da Assessoria Jurídica, Paulo Cesar está evitando se manifestar, já que ele entende que está ocorrendo uma exploração política do caso. Isso também contribuiu para que o número de agentes no protesto não tenha sido muito expressivo.
“Na verdade, a categoria estava até receosa de vir hoje aqui na frente para fazer este ato. A gente convocou, mas você vê que não tem um número muito grande de pessoas. A gente viu nas mídias sociais várias questões de cunho político e a intenção nossa não é essa. A intenção é realmente prestar homenagem e pedir por justiça de nosso colega que se foi”.
O presidente do sindicato disse, ainda, que confia no trabalho que a Polícia Civil vem fazendo para esclarecer os fatos e citou o vídeo que foi divulgado, mostrando o momento dos disparos, que é “esclarecedor”.
“A gente fica triste da forma que foi, que a gente assistiu no vídeo. É esperar que todos façam justiça. Todos os que viram o vídeo já tem o entendimento do que aconteceu. A gente não está aqui para acusar, para fazer mais nada. Já temos a nossa consciência, no nosso pensamento, o que ocorreu”, afirmou.

Paulo Cesar de Souza



















