O Tribunal de Justiça de Mato Grosso interrompeu, nesta terça-feira (14), o julgamento que pode afastar de forma definitiva Alessandro Dresch da administração do inventário da família Dresch, um patrimônio estimado em mais de R$ 342 milhões. O processo foi suspenso após pedido de vista do desembargador Ricardo Gomes de Almeida, que alegou necessidade de análise mais aprofundada diante da complexidade do caso.
A disputa gira em torno da divisão dos bens deixados por Manoel Dresch, falecido em fevereiro de 2023. O espólio inclui empresas de peso, como a Drebor, a Raytak e o Cuiabá Esporte Clube, além de fazendas e outros investimentos.
No centro do embate está a atuação de Alessandro como inventariante — função da qual já foi afastado em primeira instância por suspeitas de irregularidades na condução do patrimônio familiar.
Entre os principais questionamentos levantados no processo estão a venda de ativos sem autorização dos demais herdeiros, ausência de prestação de contas e movimentações financeiras consideradas atípicas. As inconsistências apontadas podem chegar a cerca de R$ 46 milhões.
Os autos também indicam possíveis pagamentos de despesas pessoais com recursos das empresas do grupo, além da contratação de serviços e assunção de dívidas sem anuência dos demais envolvidos no inventário.
A defesa de Alessandro contesta as acusações e afirma que os valores retirados seriam adiantamentos de lucros, passíveis de compensação futura na partilha. Sustenta ainda que ele sempre participou da gestão das empresas, o que justificaria sua permanência no comando.
Do outro lado, herdeiros defendem que houve má gestão e quebra das regras do inventário, pedindo a manutenção do afastamento para resguardar o patrimônio.
Relator do caso, o desembargador Marcos Regenold Fernandes já votou pela destituição de Alessandro, apontando indícios de confusão patrimonial e irregularidades na administração.
Durante a sessão, também foi levantada a possibilidade de nomeação de um administrador judicial independente para conduzir os bens até a conclusão do inventário.
Com o pedido de vista, o julgamento segue sem definição e deve retornar à pauta após nova análise. O desfecho pode redefinir o controle de uma das maiores fortunas empresariais de Mato Grosso, marcada por disputas internas e impactos diretos em empresas estratégicas do estado.



















