O vereador Rafael Ranalli (PL) afirmou que o desentendimento público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não representa uma ameaça ao projeto político do Partido Liberal para as eleições de 2026. Para ele, a crise decorre de divergências internas e tende a ser superada nos próximos meses.
A manifestação ocorre após Michelle expor nas redes sociais um conflito com o enteado relacionado às articulações políticas do PL no Ceará. Nos vídeos publicados, a ex-primeira-dama relatou ter sido “desrespeitada”, “humilhada” e “apunhalada” durante discussões sobre os rumos do partido no estado. Segundo ela, as divergências provocaram um afastamento entre os dois desde o final de 2025.
O embate tem origem em posições diferentes sobre alianças políticas no Ceará. Michelle é contrária à aproximação de setores do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), enquanto lideranças locais defendem a construção desse diálogo.
Após a repercussão do caso, Flávio Bolsonaro divulgou uma mensagem pública afirmando que não teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama e pediu desculpas caso ela tenha se sentido desrespeitada. O senador também ressaltou o reconhecimento pelo trabalho de Michelle à frente do PL Mulher e sua atuação ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na avaliação de Ranalli, a ausência de Jair Bolsonaro nas articulações políticas tem contribuído para disputas internas sobre a condução do grupo conservador.
“Eu acredito que essa dor é motivada principalmente pelo fato de o Bolsonaro estar preso, nesse sentido de estar calado. Então fica aquela coisa: quem é o herdeiro político?”, afirmou.
O vereador considera que uma discussão originalmente regional acabou ganhando dimensão nacional devido à relevância das lideranças envolvidas. Segundo ele, a disputa no Ceará envolve diferentes correntes dentro do partido, incluindo grupos favoráveis à aproximação com Ciro Gomes e setores alinhados ao senador Eduardo Girão (Novo-CE), apoiado por Michelle Bolsonaro.
“Essa celeuma local acabou explodindo nessa situação desagradável de lavar roupa suja publicamente, algo que, na minha opinião, poderia ter sido contido internamente”, disse.
Apesar da repercussão, Ranalli acredita que há espaço para reconstrução da unidade partidária. Para ele, o pedido de desculpas de Flávio demonstra disposição para encerrar o conflito e preservar o projeto político do grupo.
“Eu acho que o momento do PL é de união. Houve, sim, essa estremecida, justamente em um momento inoportuno, mas nada que não possa ser curado nos próximos meses ou nos próximos dias”, declarou.
Questionado sobre possíveis reflexos eleitorais, especialmente entre o público feminino e os eleitores evangélicos, segmentos em que Michelle Bolsonaro possui forte influência, o vereador minimizou eventuais impactos.
“Eu acredito que não, porque eles têm tempo hábil para se reatar e se conciliar. Eles sabem que o projeto é muito maior”, concluiu.
















