O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou que ” não há a menor chance de recuar um milímetro sequer” em suas decisões sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mesmo com a pressão do governo dos Estados Unidos. A declaração ocorreu em entrevista ao Washington Post, publicada nesta segunda-feira (18).
“Não existe a menor possibilidade de recuar nem um milímetro” , disse o magistrado. “Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem tiver que ser condenado, será condenado; quem tiver que ser absolvido, será absolvido” , prosseguiu.
Moraes é o ministro-relator do inquérito que apura a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já denunciou ao menos 34 pessoas – entre elas, o ex-presidente Bolsonaro e aliados, cujos julgamentos estão marcados para o começo de setembro.
“Entendo que para a cultura norte-americana é difícil compreender a fragilidade da democracia, porque nunca houve um golpe de Estado lá [nos Estados Unidos]. Porém, o Brasil teve vinte anos de ditadura sob Getúlio Vargas, outros vinte de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando você é repetidamente atacado por uma doença, você desenvolve anticorpos e busca uma vacina preventiva”, disse o magistrado.
Questionado se teria poder demais, Moraes rebateu dizendo que seus colegas do Supremo já revisaram mais de 700 decisões suas após recursos.
“Você sabe quantas eu perdi? Nenhuma”, disse o ministro à reportagem, que o descreve como um “xerife da democracia”.
Pressão dos EUA
Moraes afirmou não se deixar intimidar pelas diversas formas de pressão dos Estados Unidos sobre suas decisões, incluindo a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, justificada pela suposta ‘caça às bruxas’ do Judiciário contra Bolsonaro.
Na visão do magistrado, “falsas narrativas” envenenaram a relação entre os dois países, mas a tensão será temporária.
“Essas falsas narrativas acabaram envenenando a relação [Brasil-EUA] – falsas narrativas baseadas em desinformação espalhada por essas pessoas nas redes sociais. Então, o que precisamos fazer, e o que o Brasil tem feito, é esclarecer as coisas”, afirmou.
Fonte: IG






















