O Ministério da Saúde advertiu o Governo de Mato Grosso sobre a possibilidade de suspender repasses e exigir a devolução de recursos caso falhas técnicas no Samu não sejam corrigidas. O ultimato foi dado pelo diretor federal Fernando Figueira, nesta terça-feira (28), durante reunião na Assembleia Legislativa (ALMT). O impasse gira em torno do uso de verbas da Saúde para financiar profissionais de outras pastas, como o Corpo de Bombeiros, o que fere as normas do SUS.
A advertência baseia-se em dois relatórios de auditoria que apontam desobediência às regras do Sistema Único de Saúde. “O recurso tem que ser gasto com os profissionais da Secretaria de Saúde. É inimaginável financiar estruturas não vinculadas à pasta”, pontuou Figueira. Apesar do rigor, o diretor garantiu o envio de 52 novas ambulâncias ao Estado até junho, como parte do plano de renovação da frota nacional.
Pressionado por servidores e deputados da Comissão de Saúde, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) compareceu à reunião e sinalizou uma mudança de postura. O gestor admitiu a possibilidade de rever o encerramento de contratos e prometeu uma nova rodada de negociações com os trabalhadores ainda nesta semana. O objetivo, segundo ele, é evitar a sobreposição de serviços e encontrar uma saída conjunta para o impasse.
O governo federal destacou que, desde 2023, Mato Grosso já recebeu R$ 6 milhões em novos investimentos para o Samu. O custeio nacional do serviço foi ampliado pela gestão Lula (PT) para R$ 1,7 bilhão anuais, visando zerar a defasagem de repasses acumulada desde 2013 e garantir que, até o final de 2026, todas as unidades tenham veículos com menos de cinco anos de uso.

















