Uma mulher de 54 anos, identificada como Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, moradora de Mato Grosso do Sul, morreu na manhã desta terça-feira (26) após sofrer uma parada cardiorrespiratória na recepção de um edifício comercial no bairro Campo Belo, na Zona Sul de São Paulo. No dia anterior, a vítima havia passado por um procedimento de remodelagem glútea e de coxas utilizando 300 ml de Polimetilmetacrilato (PMMA). A Polícia Civil investiga o caso.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pelo 27º Distrito Policial (Campo Belo), o procedimento custou mais de R$ 41 mil e foi realizado pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, que tem pós-graduação em dermatologia, mas não possui residência médica na área. A profissional atua em Goiânia (GO) e alugou uma sala em uma clínica paulista para atender a paciente, que conheceu seu trabalho pelas redes sociais.
Em depoimento, a filha da vítima relatou que a mãe saiu da clínica na segunda-feira (25) queixando-se apenas de dores locais. No entanto, na manhã seguinte, Roseli passou a apresentar mal-estar generalizado, sonolência, coração acelerado e falta de ar. A médica orientou que a paciente fosse levada até o consultório para uma avaliação.
A motorista de aplicativo que transportou a vítima e a filha relatou à polícia que Roseli já embarcou no veículo em uma cadeira de rodas e que, durante o trajeto, o quadro de saúde se agravou severamente. A passageira ficou ofegante, passou a suar frio e perdeu a consciência antes de chegar ao destino.
Ao desembarcar na Avenida Santo Amaro, Roseli já estava desacordada. A médica e um funcionário do prédio retiraram a paciente do veículo e iniciaram as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) no chão da recepção. Um desfibrilador externo automático chegou a ser conectado, mas o aparelho não recomendou a aplicação de choques. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e deu continuidade aos procedimentos de socorro por cerca de 40 minutos, porém o óbito foi constatado no local às 10h05.
Em seu depoimento à autoridade policial, a médica Tábita Nunes afirmou que o procedimento de bioplastia com o gel Polimetilmetacrilato Biossimetric a 30% é seguro e regulamentado para tratamentos corporais em volumes de até 300 ml por aplicação, limite exato utilizado na paciente (120 ml em cada glúteo e 30 ml na região posterior de cada coxa), o que demandou o descarte de 100 seringas do produto.
A médica ressaltou que o uso do PMMA não é banido pela Anvisa, embora haja recomendações contrárias do Conselho Regional de Medicina (CRM). Ela pontuou ainda que a paciente havia passado por um procedimento cirúrgico de lifting facial com outro profissional uma semana antes, e que apresentava manchas arroxeadas no rosto, além de estar consumindo analgésicos e anti-inflamatórios por conta própria para conter as dores da recuperação.
O delegado plantonista realizou uma vistoria na clínica alugada e constatou que o espaço possuía estrutura básica e medicamentos para primeiros socorros. O corpo de Roseli foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exames necroscópicos, toxicológicos e de alcoolemia para determinar se a causa da morte foi uma reação ao preenchimento, embolia ou intoxicação medicamentosa. A senha do celular da vítima foi fornecida voluntariamente pela família para auxiliar nas investigações.




















