O Irã está considerando participar das novas negociações de paz com os Estados Unidos no Paquistão, de acordo com informações da Reuters. A sinalização ocorre após Islamabad adotar medidas para tentar suspender o bloqueio americano a portos iranianos, um dos principais obstáculos para a retomada do diálogo.
Com o cessar-fogo de duas semanas próximo do fim, Teerã afirmou estar avaliando de forma positiva a participação, indicando uma mudança de postura em relação a declarações anteriores, quando rejeitava as conversas e ameaçava retaliação.
Incerteza e tensão
Nos últimos dias, o clima de instabilidade se intensificou. No domingo (19), autoridades americanas afirmaram ter apreendido um navio iraniano que tentava furar o bloqueio, o que levou Teerã a prometer uma resposta.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que Washington demonstra “não estar levando a sério” o processo diplomático e reforçou que o país não pretende ceder em suas exigências, classificadas como “insistência em posições irracionais e irrealistas” por parte dos EUA.
Apesar das dúvidas, o Paquistão avançou nos preparativos para sediar a nova rodada de negociações. Cerca de 20 mil agentes de segurança foram mobilizados em Islamabad, segundo autoridades locais.
Aliados europeus, por sua vez, demonstram preocupação com a condução das tratativas, avaliando que pode haver pressão por um acordo rápido e superficial, o que exigiria negociações técnicas mais longas e complexas posteriormente.
Escalada e instabilidade no Oriente Médio
O conflito no Irã tem provocado milhares de mortes desde o início dos ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro.
Em resposta, Teerã anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo, o que equivale a ampliando os impactos globais.
Com o avanço das negociações diplomáticas, um cessar-fogo temporário permitiu a reabertura parcial da rota. No entanto, menos de 24 horas após o anúncio, o Irã voltou a indicar que poderia restabelecer as restrições caso o bloqueio naval americano fosse mantido.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a liberação do tráfego seria provisória, válida até 22 de abril, período em que vigoraria o cessar-fogo entre Líbano e Israel.
O acordo, mediado pelo Paquistão, previa circulação controlada de embarcações, mas enfrentou resistência de atores envolvidos no conflito libanês, como o Hezbollah, além de Israel.
Diante de violações do cessar-fogo e da exclusão do Líbano de pontos centrais do entendimento, o Irã chegou a suspender novamente a liberação do tráfego. Com novas acusações de descumprimento e o prazo do acordo se aproximando do fim, as tensões voltaram a se intensificar na região.
Fonte: IG




















