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Ex-esposa revelou patrimônio milionário de desembargador investigado em operação que atingiu Faissal

Márcia Amâncio de Souza da Silva quem trouxe à tona, em 2020, a existência de um patrimônio estimado em cerca de R$ 18 milhões atribuído ao magistrado

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A investigação que culminou na Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (8), tem como um de seus pontos de origem as revelações feitas pela ex-esposa do desembargador afastado Dirceu dos Santos durante o processo de divórcio do casal.

Foi a servidora pública Márcia Amâncio de Souza da Silva quem trouxe à tona, em 2020, a existência de um patrimônio estimado em cerca de R$ 18 milhões atribuído ao magistrado. Na relação apresentada à Justiça constavam fazendas, terrenos em condomínios de alto padrão, apartamentos em áreas nobres de Cuiabá, veículos, aplicações financeiras e até um imóvel em Winter Garden, na Flórida, nos Estados Unidos.

As informações deram origem a questionamentos sobre a evolução patrimonial do desembargador e motivaram apurações que, anos depois, desembocaram na ofensiva da Polícia Federal. Dirceu está afastado do cargo desde março deste ano por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sob suspeita de participação em um esquema de venda de decisões judiciais.

As investigações também alcançaram o deputado estadual Faissal Calil (PL), que manteve relação profissional e de proximidade com o magistrado antes de ingressar na vida política. Faissal trabalhou no gabinete de Dirceu entre 2017 e 2018, período anterior à sua eleição para a Assembleia Legislativa.

Durante o processo de separação, outro fato chamou a atenção dos investigadores: a existência de um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 1 milhão, localizado no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. Conforme documentos anexados à ação de divórcio, o imóvel teria sido adquirido por meio de permuta envolvendo Dirceu e Faissal. O bem, porém, não constaria na declaração de patrimônio apresentada pelo parlamentar à Justiça Eleitoral em 2018.

A Polícia Federal apura a suposta atuação de um grupo envolvido na comercialização de decisões judiciais e na ocultação de recursos de origem ilícita. Os investigados poderão responder por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

Nesta segunda-feira, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático. As diligências ocorreram em Mato Grosso e São Paulo e tiveram como alvos magistrados, advogados, empresários e pessoas ligadas ao suposto esquema.

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