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Distribuidora de bebidas da Mansão Maromba é alvo de operação em MT

Segundo a Polícia Civil, o cenário reforça a linha de investigação de que o grupo utilizava empresas fictícias para simular operações no setor de grãos

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Imagens divulgadas pela Polícia Civil mostram que um dos mandados da Operação “CNPJ na Cela”, deflagrada nesta terça-feira (3) para combater esquema de sonegação fiscal no Estado, foi cumprido na distribuidora da marca de bebidas Mansão Maromba. A distribuidora está localizada em Rondonópolis (212 km a sul de Cuiabá).

A empresa comercializa bebidas de grande circulação no mercado, como energéticos e combinações prontas de vodka, gin ou uísque com cafeína, produtos associados à linha do influenciador digital conhecido como Toguro. Durante o cumprimento da ordem judicial, os investigadores encontraram grande estoque de bebidas alcoólicas e também cigarros artesanais no interior do estabelecimento.

O que chamou a atenção dos policiais foi a existência, dentro da distribuidora, de identificação visual indicando a suposta atuação de uma empresa denominada Campanha Logística, registrada como compradora e vendedora de grãos. O local exibia imagens e informações sobre produção de soja e milho, mas não apresentava qualquer estrutura compatível com atividades ligadas ao agronegócio.

Segundo a Polícia Civil, o cenário reforça a linha de investigação de que o grupo utilizava empresas fictícias para simular operações no setor de grãos, com o objetivo exclusivo de reduzir ou ocultar o pagamento de tributos. Apesar de possuírem registros formais aparentemente regulares, essas empresas não tinham estrutura física, logística ou operacional condizente com a atividade declarada.

As apurações identificaram ainda endereços inexistentes ou totalmente incompatíveis com os serviços informados nos cadastros oficiais. Em um dos casos mais graves, a sede de uma empresa estava registrada no endereço de uma unidade prisional. A investigação também aponta o uso indevido de dados pessoais de terceiros, muitas vezes pessoas em situação de vulnerabilidade social ou com ligação com o sistema penitenciário, para abertura dos CNPJs.

O delegado responsável pelo inquérito, João Paulo Firpo Fontes, afirmou que o uso de endereços de presídios para registro de empresas demonstra o grau de ousadia do esquema. Já o delegado Walter de Melo Fonseca Júnior destacou que os verdadeiros articuladores do grupo se mantinham ocultos por meio de “laranjas”, com atuação direta de um contador para conferir aparência de legalidade às operações fraudulentas.

O promotor de Justiça Washington Eduardo Borrére ressaltou que a atuação conjunta das instituições é fundamental para desmontar esquemas complexos de evasão fiscal, preservar a arrecadação pública e garantir concorrência justa entre empresas que atuam dentro da lei.

No total, a operação cumpre 50 determinações judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo de dados telemáticos, suspensão do registro profissional de um contador e a paralisação das atividades econômicas das empresas investigadas. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Mato Grosso.

 

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